MENSAGENS DIVULGADAS NO BOLETIM ¨O CAMINHO¨
2012
VEJA TAMBÉM AS MENSAGENS ANTERIORES 2007
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VEJA TAMBÉM AS MENSAGENS ANTERIORES -2011
CARTA DE ANO BOM
Casimiro Cunha
Entre um ano que se vai
E outro que se inicia,
Há sempre nova esperança,
Promessas de Novo Dia...
Considera, meu amigo,
Nesse pequeno intervalo,
Todo o tempo que perdeste
Sem saber aproveitá-lo.
Se o ano que se passou
Foi de amargura sombria,
Nosso Pai Nunca está pobre
Do pão de luz da alegria.
Pensa que o céu não esquece
A mais ínfima criatura,
E espera resignado
O teu quinhão de ventura.
Considera, sobretudo
Que precisas, doravante,
Encher de luz todo o tempo
Da bênção de cada instante.
Sê na oficina do mundo
O mais perfeito aprendiz,
Pois somente no trabalho
Teu ano será feliz.
Não esperes recompensas
Dos bens da vida terrestre,
Mas, volve toda a esperança
A paz do Divino Mestre.
Nas lutas, nunca te esqueça
Deste conceito profundo:
O reino da luz de Cristo
Não reside neste mundo.
Não olhes faltas alheias,
Não julgues o teu irmão,
Vive apenas no trabalho
De tua renovação.
Quem se esforça de verdade
Sabe a prática do bem,
Conhece os próprios deveres
Sem censurar a ninguém.
Ano Novo!... Pede ao Céu
Que te proteja o trabalho,
Que te conceda na fé
O mais sublime agasalho.
Ano Bom!... Deus te abençoe
No esforço que te conduz
Das sombras tristes da Terra
Para as bênçãos de Jesus.
Pelo Espírito Casimiro Cunha - Psicografia de Chico Xavier

Dando continuidadae à divulgação das sinopses das obras de André Luiz, psicografadas por Chico Xavier. Seguimos com MECANISMOS DA MEDIUNIDADE- PARTE 2ª .
A leitura da sinopse não exclui a leitura do livro. Ela tem por finalidade relembrar a quem já leu as obras, determinados pontos importantes. Para aqueles que ainda não conhecem as obras de André Luiz, poderá ser um despertamento para levar à leitura das obras.
Título: "MECANISMOS DA MEDIUNIDADE" - (26 capítulos - 188 páginas)
AUTOR: Espírito ANDRÉ LUIZ (pseudônimo espiritual de um consagrado médico que exerceu a Medicina no Rio de Janeiro)
PSICOGRAFIA: FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER e WALDO VIEIRA (concluída em 1959)
EDIÇÃO: Primeira edição em 1959, pela Federação Espírita Brasileira (Rio de Janeiro/RJ).
Neste trabalho estamos consultando a 9ª edição/1986. Em 2006 foi lançada a 25ª edição, do 221º ao 225º milheiro de exemplares.
ABERTURA: Registros de Allan Kardec, designados pelo Autor espiritual
PREFÁCIO: Espírito EMMANUEL — Mediunidade.
INTRODUÇÃO: Do próprio Autor Espiritual (ANDRÉ LUIZ) — Ante a Mediunidade.
PARTE 2 ( CONTINUAÇÃO DO CONTEÚDO DO BOLETIM DE DEZEMBRO 2011).
MEDIUNIDADE E ELETROMAGNETISMO
8.1 – Mediunidade estuante
O cobre, a prata, o ouro e o alumínio têm elétrons livres facilmente separáveis do átomo e por isso são chamados condutores. Tal separação se dá por pressão elétrica e nisso ocorre algo bem interessante: cada átomo, ao se ver sem o elétron, imediatamente busca um outro elétron de reposição, do átomo seguinte. Essa ocorrência determina a direção da corrente elétrica. Isso deixa os átomos em harmonia.
Os médiuns com sensibilidade psíquica exacerbada, para se transformarem em tarefeiros de Jesus, carecem de educação mediúnica, para que não mais se vejam entrelaçados na teia das vibrações mentais com as quais tenham afinidade.
8.2 – Corrente elétrica
O ímã e suas propriedades são valiosos elementos de comparação em assuntos referentes a campos magnéticos. Limalhas de ferro ou aço são atraídas para o ímã e essa atração obedece invariavelmente a um posicionamento voltado no sentido e na direção do pólo norte da Terra.
A corrente elétrica é a única fonte de magnetismo de conhecimento humano do homem, encarnado ou desencarnado... E a corrente mental, nisso, guarda alguma semelhança com a corrente elétrica.
A eletricidade vibra em espaços infinitamente reduzidos e os elétrons (ah!, os elétrons...) realizam “saltos” ao redor do núcleo (movimento de translação) e sobre o próprio eixo (movimento de rotação). As partículas que mostram esses movimentos produzem efeitos que são chamados de “spins” (Spin: do Inglês to spin = fazer girar).
NOTA : Oportuno lembrar que o Autor espiritual refere-se à pujança do dinamismo universal, aqui tecendo considerações sobre espaços e dimensões situados no micro.
8.3 – “Spins” e “domínios”
Spins são movimentos giratórios que acontecem nas camadas atômicas.
Podem ter natureza positiva ou negativa e se compensam. Isso não ocorre em todos os elementos: o átomo de ferro, por exemplo, tem quatro “spins” desajustados nas camadas periféricas e esse átomo, ao se reunir a um outro átomo de ferro, ambos se conjugam, formando espontaneamente ímãs microscópicos — os “domínios”.
“Domínios” se mostram irregulares e desordenados, mas quando conjugados, alinham-se e se ajustam espontaneamente.
Quando acontece essa interação atômica os spins encontram uma barreira formada pelo atrito dos campos magnéticos próprios. Mas, havendo aumento da intensidade magnética eles (os “spins”) se alinham e ocorre padronização da orientação de todos.
Esse fluxo magnético tende a aumentar na proporção do aumento do campo magnético. Quando todos os “spins” de um determinado material se projetam na mesma direção, temos que esse material está saturado.
8.4 – Campo magnético essencial
“Domínios”, quando associados, produzem linhas de força formadoras do campo magnético essencial, que pode ser facilmente demonstrado por uma agulha magnética.
Um pólo magnético colocado a um centímetro de outro pólo igual cria repulsão ou atração, cuja força equivale a um dina, cuja massa magnética unitária é designada de oersted.
NOTA: Oersted: unidade eletromagnética de campo magnético. A denominação homenageia Hans Christian Oersted, físico dinamarquês (1777-1851), que numa célebre experiência descobriu o campo magnético criado pelas correntes elétricas.
Num campo magnético cujas ações horizontais sejam diferentes das verticais isso provoca grande intensidade.
Nos elementos de “spins” compensados os respectivos ímãs microscópicos se mostram em equilíbrio. Já elementos com “spins” descompensados nas camadas periféricas do átomo essa harmonia (ou saturação) não acontece.
Nosso planeta possui substâncias magnéticas naturais.
O ferro, o aço, o cobalto, o níquel e as respectivas ligas — em especial o ferro doce — podem ser artificialmente imantados (magnetizados), cujo efeito durará apenas sob a ação magnetizante. O aço temperado mantém a imantação por mais tempo.
8.5 – Ferromagnetismo e mediunidade
O ferromagnetismo se presta ao estudo da mediunidade, naturalmente após as considerações feitas sobre circuitos elétricos e efeitos magnéticos.
Pessoas normais têm seus “spins” mentais em equilíbrio e com isso suas emoções comuns são entrosadas e harmônicas.
Por outro lado, aqueles cujos “spins” se mostram descompensados carregam consigo mesmos condições mediúnicas ou situações que exigem auxílio de correntes de força que lhes dê equilíbrio. Interessante notar que isso pode acontecer com almas abnegadas (por exemplo: missionários desencarnados em difíceis tarefas nas regiões umbralinas, onde comparecem para auxiliar ao próximo ali estacionado; ou, ainda, almas desajustadas, em penosos processos regeneradores).
Deduzimos, pois, que mentes equilibradas e afinadas com o meio material têm reduzido campo magnético; já os Espíritos muito experientes são rodeados por intenso campo magnético, sejam os devotados ao bem como os que trilham pelos caminhos do mal.
8.6 – “Descompensação vibratória”
Mediunidade ou capacidade de sintonizar constituem patrimônio de todos os homens.
E todos possuímos campo magnético próprio, de alta intensidade, demonstrando “descompensação vibratória”.
Esse estado tanto pode ser o daqueles Espíritos voltados para a prática do bem, quanto o das almas que infelicitaram a si mesmas, pelas transgressões das Leis Morais.
No mundo, assim, encontraremos criaturas de pequena ou grande existência terrena, umas trazendo contribuição para o programa da Humanidade e outras, em situação oposta, purgando delinqüência em penosos lances expiatórios.
9. CÉREBRO E ENERGIA
9.1 – Geradores e motores
A força eletromotriz é criada por geradores e potenciada por motores.
As máquinas elétricas têm enrolamentos imbricados (fios superpostos, uns aos outros) ou ondulados, existindo diversos aparelhos dessa espécie.
A maioria dos geradores são auto-excitados, isto é, a corrente elétrica os induz à geração de energia.
Da mesma forma a atenção ou desatenção do médium criará energia mental e a respectiva expansão.
9.2 – Gerador “shunt”
(“Shunt”: do Inglês = derivado)
Num gerador “shunt”, quando o interruptor é ligado o induzido começa a girar, forma-se campo de magnetismo residual e então surge pequena energia eletromotriz. Se o interruptor for fechado a força eletromotriz que havia se formado se transforma em força magnetomotriz, no mesmo sentido do magnetismo residual.
Quando a força eletromotriz alcança a maior potência a voltagem pára de se elevar ao ser atingida a saturação.
9.3 – Frustração da corrente elétrica
Se a corrente elétrica de um gerador não se modificar ocorrerá frustração:
- por ausência de magnetismo residual (aparelhos novos ou em desuso por tempo longo);
- por inversão das ligações no circuito do campo, pois assim como o magnetismo residual no campo “shunt”, ligado à armadura deriva ação naquele campo, a forma eletromotriz será gerada pela corrente elétrica e adicionada ao campo residual
(Armadura: em eletricidade = pedaço de ferro que estabelece a ligação dos pólos de um ímã);
- muita resistência por parte do circuito do campo, podendo surgir causa de ligações inconvenientes ou sujeira acumulada na máquina.
9.4 – Gerador do cérebro
O cérebro, por analogia, no nosso estudo, contém um gerador auto-excitado, que realiza, na sua intimidade, gama expressiva de tarefas: geração, excitação, transformação, indução, condução, exteriorização, captação, assimilação e desassimilação da energia mental.
Inexiste, na Terra, um aparelho capaz de tal desempenho.
O cérebro encerra em si mesmo células especiais que se constituem em usinas microscópicas a acionar motores de sustentação para o corpo todo.
Os implementos miniaturizados da eletrônica dão pálida idéia da ação daquelas ínfimas usinas instaladas no cérebro.
Pois é nessa prodigiosa área (cerebral) que a matéria mental, ao comando constante do Espírito, produz correntes que se exteriorizam, durante a vida toda e mais se mostra na aura do homem, em ação e reação contínuas.
Nesse ponto o Autor espiritual lembra que o gerador comum atinge atividade máxima conforme a resistência encontrada no campo, perdendo força quando da saturação.
Partem do cérebro ordens e decisões, cujos resultados gerarão débito ou crédito ao responsável — o Espírito imortal.
No córtex estão a sede dos sentidos, os centros da palavra escrita e oral, a memória e os vários automatismos biológicos, tudo conectado à mente. E ainda, a memória profunda, respondendo pelo discernimento, pela análise, pela reflexão, pelo entendimento e pelos valores morais de cada indivíduo.
As correntes mentais formadas de átomos semelhantes visitam e circulam por todas essas províncias físicas, da mesma forma que as correntes elétricas circulam pelos vários aparelhos, neles formando resíduos magnéticos. Daí, deduzirmos que também a corrente mental produz eletromagnetismo.
9.5 – Corrente do pensamento
O Espírito tem uma força eterna, de propriedades inimagináveis: o pensamento! Ele é qual uma corrente que, no indivíduo desatento, tem pequena potência; mas, no homem concentrado, a energia mentocriadora cresce, formando resíduo de magnetismo que dilatará o fluxo, fazendo a energia mental alcançar o seu maior valor — seria algo assim como a elevação da voltagem no gerador elétrico, até à saturação.
Segundo os objetivos (intenção) buscados por esse pensador, a energia mental alcançará ponto máximo e se dirigirá à sua realização.
9.6 – Negação da corrente mental
A energia mental (criativa) não se expandirá se:
- não houver magnetismo residual (caso dos cérebros primitivos, das criaturas recém-promovidas ao reino hominal, ou mesmo aquelas outras, de várias vivências, muitas delas em ociosidade espiritual)
- os circuitos mentais estiverem invertidos, por egoísmo e por perturbações obsessivas a que o Espírito tenha dado azo
- houver deficiência física, causada por problemas temporários ou por desmazelo (desrespeito) do indivíduo para com o próprio corpo.
10. FLUXO MENTAL
10.1 – Partícula elétrica
Todos os elementos químicos são formados por átomos e cada átomo tem um conjunto determinado de elétrons (“número atômico”) distribuídos em torno do núcleo.
O deslocamento das partículas de um elemento cria um campo elétrico que forma ondas, segundo o número atômico desse elemento.
Os elétrons tiveram sua carga e massa medidos com precisão, sendo demonstrado que a energia se propaga em partículas infra-atômicas que promovem proporcionais pulsações eletromagnéticas.
A corrente elétrica ao circular num condutor (como uma “bola de eletricidade”) gera calor, campo magnético ao redor desse condutor, produz luz e resulta em ação química. Detalhes dessa circulação:
- o calor acontece pelas colisões dos elétrons livres, em translação sobre si mesmos
- o campo magnético é criado a partir do deslocamento das partículas
- a luz é produzida pela corrente elétrica do condutor
- a ação química decorre de determinadas soluções.
10.2 – Partícula mental
A consciência administra emoções e desejos íntimos do Espírito, formulados pela mente e que circulam em partículas pela corrente mental, produzindo irradiações eletromagnéticas. Esse processo guarda alguma semelhança com o trânsito das partículas elétricas (texto do item anterior).
A expansão das partículas mentais varia em razão do estado mental de quem as emite. De novo: essa expansão palidamente se assemelha à chama, que iluminará à sua volta em intensidade proporcional à energia nela empregada.
10.3 – Corrente mental sub-humana
O Autor presta-nos fantástica informação: são encontradas correntes mentais (das bem elementares às mais complexas) nos reinos inferiores da Natureza: no mineral (!), nos vegetais, nos animais mais simples e nos animais superiores (aqueles já candidatos à promoção na produção do pensamento contínuo).
Tais correntes mentais não passam de impulsos constantes de sustentação da vida primária dos seres sub-humanos. Cumpre destacar que nos ani mais superiores os impulsos mentais já deflagram percepções avançadas.
10.4 – Função dos agentes mentais
Da sua criação à chegada ao reino hominal o Princípio Inteligente (P.I.) foi sendo sustentado e amparados por Espíritos Siderais, os quais, a pouco e pouco equiparam-no com automatismos biológicos múltiplos. Esses automatismos se expressam por impulsos mentais incessantes (ondas eletromagnéticas), com ação no cérebro, pondo em ligação (sinapses) os impulsos nervosos que então passam de um a outro neurônio.
Todas essas operações contam com a ação de milhões e milhões de células que se interligam eletromagneticamente à dinâmica daqueles automatismos. Disso decorre o equilíbrio orgânico, pois essas células, em conjunto, são micro-usinas que, sob estímulos coordenados, produzem e distribuem subsídios químicos para todo o corpo físico.
10.5 – Corrente mental humana
No cérebro humano, de maior complexidade, que não age apenas fisiologicamente, iremos encontrar as correntes mentais que alicerçam a evolução da alma, formulando ações concebidas pelo pensamento contínuo, a se caracterizarem por co-criação, de alguma forma colaborando com a incomparável obra da Criação Suprema — Deus.
É assim que o indivíduo, pela criatividade e projetos nobres ascende a planos espirituais mais altos.
A corrente mental visita todas as células do corpo humano, em vibrações ondulares adequadas a cada província orgânica, em particular.
Faz mais essa abençoada corrente: tem ação vitalizante na alma e por conseqüência em todas as articulações, órgãos e núcleos glandulares endócrinos, possibilitando ao Espírito extrair recursos e sustentação para emitir seus pensamentos, bem como para recolher e decifrar pensamentos dos outros.
10.6 – Campo da aura
O Espírito, tanto do homem encarnado quanto desencarnado, expressa respectivamente, ao redor do corpo físico ou do perispírito, as radiações correspondentes ao seu nível evolutivo. Essa irradiação envolve a criatura em uma túnica (aura) de forças eletromagnéticas e apresenta-se mais ou menos condensada, expondo “essências e imagens do mundo íntimo” do ser.
NOTA: Talvez possamos conjeturar que a aura, assim, é um verdadeiro documento de identidade do Espírito, quanto à sua condição moral.
A aura se expande e segundo sua energia condensada poderá alcançar espaços distantes de onde está a alma (ser encarnado) ou o Espírito (ser desencarnado).
NOTA : Kardec, pedagogicamente, recomenda a denominação “alma” para designar o ser encarnado e “Espírito”, o desencarnado.
Nesse alongamento, a aura influenciará os que com ela tenham afinidade, mas também assimilará injunções dos que com ela simpatizam.
Assim como a luz diminui de intensidade com o afastamento do fulcro gerador, a aura também perde poder de influenciar, segundo a distância a que se expanda.
11. ONDA MENTAL
11.1 – Onda hertziana
As correntes atômicas que geram forças corpusculares na Terra dão-nos idéia clara de como o pensamento (radiação mental) utiliza substância mental para presidir, em ondas de várias freqüências, a todos os fenômenos do Espírito.
Com efeito, o pensamento utiliza o cérebro para emitir suas criações e receber as dos outros, assim como as ondas eletromagnéticas (ondas hertzianas) se expressam, quanto ao comprimento, em ondas largas médias ou curtas.
11.2 – Pensamento e televisão
A televisão funciona por feixes eletrônicos, bem controlados: a aparelhagem utilizada capta, transforma, irradia e transmite imagens e sons, simultaneamente.
Assim também, de cérebro a cérebro, o pensamento (formulado em ondas) transmite e recebe ondas. Ao pensar, o Espírito cria a respectiva forma-pensamento que é arrojada do íntimo para o exterior e será assimilada por quem sintonizar com ela. A recíproca é verdadeira: o que os outros pensam pode ser captado e aceito por nós. Esse mecanismo é semelhante à ação do hipnotizador sobre o hipnotizado.
(A seguir, neste item, o Autor espiritual detalha o funcionamento da televisão).
11.3 – Células e peças
A televisão, a sua aparelhagem e o respectivo funcionamento constituem, inegavelmente, um prodígio da eletrônica. Mas o cérebro humano... ah! é fantasticamente superior em organização e capacidade!
Na emissão e recepção de “estímulos, imagens, vozes, cores, palavras e sinais múltiplos”, o cérebro utiliza caminhos que levam e caminhos que trazem tudo isso, simultaneamente.
A televisão necessita de implementos específicos para captação das imagens e sons, os quais, para serem transmitidos exigem outra coleção de implementos.
É por isso que é pobre a comparação da TV com o cérebro humano, já que este é, ao mesmo tempo, transmissor e receptor, não só de imagens, sons, cores, vozes, estímulos, mas também e ainda de formas-pensamento.
11.4 – Alavanca da vontade
O pensamento de toda criatura se expressa por oscilações mentais, as quais combinam por simpatia-sintonia com o pensamento de outras criaturas. Isso é válido para encarnados e desencarnados.
O fluxo energético de cada indivíduo define-lhe a personalidade, de forma inconfundível. É assim que o bem ou o mal que cada Espírito traz encerrados em si mesmo são-lhe identificador indubitável.
Milênios e milênios de experiências levam o Espírito a desenvolver e equipar-se da alavanca da vontade, com a qual, por largas faixas, do primitivismo a um determinado nível evolutivo impera o instinto de conservação e idéias fixas na sua sobrevivência.
11.5 – Vontade e aperfeiçoamento
O homem, nos primórdios, com memória e imaginação ainda bem limitadas, não exerce a vontade de aprender a decidir. Evoluir, para ele, é difícil. Mesmo agregando-se a semelhantes, a egolatria nele fala alto. A Lei Divina do Progresso, no entanto, inexorável, em últimas instâncias recorre à pedagogia da dor — a “dor-evolução” .
Prazer individual e domínio — vontades exercidas por incontáveis existências — vão paulatinamente sendo substituídas pelas vontades de aperfeiçoamento e ajuda ao semelhante.
11.6 – Cíclotron da vontade
( Ciclotron: acelerador circular de partículas)
O homem sempre dirige seus pensamentos aos Espíritos elevados e nesse patamar evolutivo dispõe de mecanismos mentais para impedir a ação de idéias contrárias. Esses mesmos mecanismos ajudam o indivíduo a unir, às suas, as ondas simpáticas dos outros. Mas, a Lei Divina da responsabilidade (ação e reação) é invariável: projetos nobres, ou infelizes, são criações mentais e deles advirão, respectivamente, liberdade ou prisão, conhecimento ou ignorância, maiores bens ou deficiência no próprio destino.
12. REFLEXO CONDICIONADO
12.1 – Importância da reflexão
Pela reflexão o Espírito (encarnado ou desencarnado) faz com que sua mente crie poderosas energias mento-eletromagnéticas, a se exteriorizarem em corrente psíquica de potencial e qualidade inconfundíveis, quanto à fonte geratriz: ele mesmo.
Cada um de nós gera força criativa que expressa nossa personalidade em ondas próprias, as quais influenciam pessoas que com elas se afinizam, ao tempo que recolheremos também as ondas similares criadas pelos outros.
Esse mecanismo ocorre em função da sintonia, afinidade, simpatia.
12.2 – Tipos de reflexos
Muitos são os reflexos do ser: congênitos ou incondicionados (chamados de protetores, alimentares, posturais e sexuais). Cada um desses reflexos se manifesta por via própria, de cada espécie, sem intervenção da vontade. Nada objeta considerar tais reflexos como os automatismos biológicos implantados pelos Engenheiros Siderais da Vida, em cada indivíduo, a partir dos primórdios do Princípio Inteligente.
Outros reflexos, no entanto, podem ser adquiridos, isto é, com base nos reflexos incondicionados outros se lhes acoplam.
12.3 – Experiência de Pavlov
Exemplo clássico de reflexo condicionado, com manifestações da atividade nervosa superior, foi demonstrado Ivan Petrovitch Pavlov, fisiologista e psicólogo soviético (1849-1936), prêmio Nobel de Fisiologia e Medicina, de 1904. Com efeito, utilizando cães, separados desde o nascimento da mãe, o cientista condicionou esses animais a se alimentarem de leite, artificialmente e eles só demonstraram possuir o reflexo patelar (aquele, da famosa pancadinha na patela — osso do joelho) e o reflexo córneo-palpebral. À vista de carne, que é alimento tradicional de cães, os animais não reagiram com salivação, o que só viria a acontecer, daí em diante, depois que a carne lhes fosse colocada na boca.
Assim, os cães passaram a demonstrar mais um reflexo, aos que já possuíam.
12.4 – Reflexos psíquicos
Vimos que há possibilidades de modificar alguns hábitos naturais dos animais, isto é, um cão em processo evolutivo pode deixar de “preferir carne”, o que é longa tradição na espécie. A alimentação, que é um reflexo incondicionado, pode, dessa forma, sofrer alteração e se sobrepor a impressões ancestrais. Isso, em todos os seres vivos.
No caso humano, se aplicarmos o mesmo princípio dos reflexos condicionados aos reflexos psíquicos, atestamos que a razão e o livre-arbítrio, postos a serviço da nossa evolução, constituem fontes inesgotáveis de discernimento, para nossa escolha.
Os reflexos condicionados mentais emitidos por uma pessoa trazem, em si mesmos, o mecanismo da emissão dos temas afins daquela mente, que se exteriorizam, impressionam outras pessoas e voltam à origem, acrescidos das criações mentais dessas mesmas pessoas.
Tais os processos inconscientes da conjugação mediúnica, incipiente de início, para a plenitude, após a sedimentação mental de tais reflexos.
12.5 – Agentes de indução
A auto-sugestão é poderosa ferramenta para a aquisição de hábitos, comportamentos, criação de idéias. Uma vez que o homem raciocina, torna-se responsável pelo que sua mente exteriorize e pelas conseqüências disso, muitas das quais não consegue aquilatar. Essas formas-pensamento que lançamos na psicosfera fazem-se indutivas, fraca ou fortemente sobre outras pessoas, segundo a idéia seja mais ou menos fixa.
É assim que todos os homens se interligam pelo pensamento, automaticamente(!)
Muita vigilância impõem os agentes de indução, quais sejam a conversação, a leitura de uma ou outra obra, a contemplação de um quadro, visitas (feitas ou recebidas), conselhos, opiniões. Todas essas atividades criam vida — vida mental —, cuja energia influenciará outrem. Do que elas resultarem, o emitente será invariavelmente o responsável.
12.6 – Uso do discernimento
Estar revestido com o corpo físico não impede a ninguém de pensar, no bem ou no mal. O livre-arbítrio de cada Espírito deve se pautar no discernimento, na constante preocupação em não ferir ao próximo. A existência terrena e mais ainda a vivência espiritual são conjugadas a correntes eletrônicas e correntes mentais, por todos os lados. Estreita e permanente ligação com Espíritos nobres (pela prece, por atitudes elevadas, por leituras esclarecedoras) são atitudes das mais recomendáveis, para que estejamos sempre nos policiando, quanto aos pensamentos, às escolhas, às ações.
Eles se aproximarão de nós e certamente nos sustentarão nas horas difíceis.
13. FENÔMENO HIPNÓTICO INDISCRIMINADO
13.1 – Hipnotismo vulgar
Hipnotismo a título de espetáculo se vale de propriedade do reflexo condicionado, vez que o hipnotizador, geralmente em presença de público, induz a todos que concedam obediência e respeito. Nesse ponto, entrando em sintonia as vibrações dele e de alguns assistentes, estes são selecionados para a demonstração que é buscada.
Um objeto é mostrado e todos os “selecionados” devem se fixar nele...
Não tarda e de forma espontânea uma ou outra pessoa demonstra a passividade pela qual é-lhe sugerida essa ou aquela atitude, nem sempre digna, na maior das vezes hilária. O hipnotizado, subjugado mentalmente, cria as imagens (ou se porta) segundo as idéias sugeridas. Obedece e diverte o “respeitável público”. Triste espetáculo!
A influência mental do hipnotizador, não raro, funciona até em pessoas distantes dele, seja através do rádio ou da televisão.
13.2 – Graus de passividade
Ocorrendo a invasão mental de comando, do hipnotizador para o hipnotizado, este atenderá ao apelo alucinatório criado por si mesmo. Dependendo do grau de obediência, encontraremos hipnotizados “comuns”, letárgicos e até em catalepsia.
Hipnose e letargia, via de regra, provocam sono e na catalepsia (em alguns casos na letargia também), emancipação parcial do Espírito, com desprendimento perispiritual.
NOTA: Conjeturamos que tal sujeição pode ser danosa ao hipnotizado pelo desdobramento provocado, cujo retorno foge ao seu controle e à naturalidade.
13.3 – Idéia-tipo e reflexos individuais
Em algumas exibições de hipnotismo vulgar ele pode envolver mais de um passivo.
Ao comando “de frio”, por exemplo, os cérebros dos hipnotizados reagirão obedientemente à sensação térmica, contudo, cada um à sua moda: um abotoará o casaco (imaginário), outro erguerá a gola da camisa para aquecer o pescoço, outro gesticulará ajeitar um cachecol inexistente, outro soprará ar quente nas mãos, etc.
Tudo isso ocorre porque cada um age segundo sua “idéia-tipo” quanto ao frio.
13.4 – Aula de violino
Esses mesmos “sujets” (do francês: assunto, objeto, tema; súdito, vassalo; em Gramática: sujeito), recebendo informação que se encontram em aula de música e recebendo ordem de ensaiar o violino, gesticularão serem violinistas.
Naturalmente, os que desconhecem o assunto se portarão de modo grotesco e se eventualmente houver quem de fato seja violinista, este executará gestos adequados.
13.5 – Hipnose e telementação
Em alguns casos o hipnotizado poderá substituir parcialmente sua personalidade e representar a de outrem: um cantor famoso, um político, um artista, etc.
Tanto mais expressiva será a manifestação quanto o hipnotizado conheça a personagem que está imitando. Por exemplo: recebendo comando para imitar um maestro, imediatamente criará uma forma-pensamento de uma batuta e de estar à frente de uma orquestra. Aí, manipulará essa batuta invisível como se material fosse...
Se a personalidade a ser “vivida” pelo “sujet” lhe é desconhecida, só com muitas informações do hipnotizador poderá evidenciar-se o transe.
13.6 – Sugestão e afinidade
Numa ligação mental mais enérgica entre hipnotizado e hipnotizador, se aquele der uma ordem para que este faça isso ou aquilo após sair do transe, isso irá de fato acontecer. Por exemplo: ao sair da hipnose oferecer um copo de água a alguém.
Contudo, se em tal circunstância o comando do hipnotizador for de ordem moral, essa ordem só será obedecida se houver afinidade profunda entre ambos e se de fato o “sujet”, em condições normais, apresenta tendência plena de agir como o hipnotizador lhe ordenou.
14. REFLEXO CONDICIONADO ESPECÍFICO
Em nota de rodapé o autor espiritual adverte que suas explanações sobre o hipnotismo são formuladas apenas para explicar mecanismos da mediunidade e não para serem praticados pelos “companheiros do Espiritismo”.
14.1 – Pródromos da hipnose
O capítulo anterior tratou da hipnose vulgar, teatral, pública.
Se o hipnotizador for um homem probo e for procurado por alguém que lhe pede ajuda para se livrar de doença nervosa, de pronto se estabelecerá contato positivo entre os dois, a partir de acolhimento simpático, carinhoso. Feita tal ligação e após palavras de ânimo, o consulente acatará de boamente o convite para responder a algumas perguntas, após ser instalado em confortável poltrona.
14.2 – Mecanismo do fenômeno hipnótico
Com o “paciente” sentado e o hipnotizador à frente dele, este situará levemente sua mão esquerda sobre a cabeça daquele e com a mão direita levemente erguida ordenará que fixe a vista nos dedos daquela mão.
Esse quadro caracteriza projeção de fluxo mental, do hipnotizador ao hipnotizando, que será captado pela glândula epífise deste. De certa forma podemos considerar que citada glândula é verdadeira antena para captação mediúnica.
Nesse ponto o hipnotizado estabelece “circuito fechado” mental sobre si mesmo, com a atenção plenamente fixada na vontade do hipnotizador.
Será então induzido a sono, mediante ordem calma que o cérebro se encarregará de obedecer, com liberação dos componentes fisiológicos adequados (aglutininas).
É hora do hipnotizador, com voz grave e calma, dirigir ordem ao “sujet” para que, ao acordar, esteja livre das perturbações nervosas. Tal ordem é bem detalhada e sempre pontilhada de informes de que “tudo está bem”.
14. 3 – Mecanismos da hipnoterapia
Ocorre no hipnotizado, nesse sono provocado, uma benéfica administração das sugestões recebidas, eis que seu veículo fisiopsicossomático as assimilará e mais: eliminará, se não todas, grande parte das inibições funcionais nele instaladas.
A ação do hipnotizador é catalisadora: desencadeia a recuperação, por reflexoterapia.
Quinze minutos mais ou menos após o hipnotizador traz o hipnotizado à vigília, já manifestando melhoras expressivas(!) e manifestando agradecimentos.
Como é fácil de deduzir, o hipnotizador apenas exerceu influência, mas a ação curativa aconteceu integralmente sob responsabilidade individual do hipnotizado.
14.4 – Objetos e reflexos específicos
O tratamento prosseguirá. No dia seguinte, já no encontro entre hipnotizado e hipnotizador, a sintonia se estabelecerá com facilidade e aquele desencadeará, inconscientemente, forças mentais auto-energizadas, como reflexo dos conselhos deste, na véspera.
Esse condicionamento é tão evidente que até mesmo um simples objeto dado de presente pelo hipnotizador ensejará com que “o paciente”, numa eventual crise e na ausência daquele, promova a autocura.
Talismãs, ou outros objetos considerados “imantados” trazem encerrados em si mesmos esse princípio, isto é, por vezes à distância do fulcro em que foram formados, agem como catalisadores parciais de cura de algum distúrbio orgânico.
14.5 – Circuito magnético e circuito mediúnico
A continuidade do envolvimento entre hipnotizado e hipnotizador carreará circuito mediúnico perfeito entre ambos. Essa hipótese de continuidade é propícia para serviços de trocas mentais, pois o magnetizado, alcançada a própria cura pelo reequilíbrio da região nervosa anteriormente afetada, essa ora se mostra em harmonia.
Instalada tal simbiose mental, alimentada diariamente pelo fluxo do hipnotizador sobre o hipnotizado, o cérebro deste passará a apoiar-se no daquele, acatando livremente suas inclinações e seus desígnios. Tão forte será essa junção que o “sujet”, sob controle do magnetizador, até se desdobrará perispiritualmente, vendo e ouvindo só o que este lhe repassar.
14.6 – Auto-magnetização
O reflexo condicionado específico estabelecido entre o hipnotizador e o hipnotizado é de tal intensidade que este poderá “cair em hipnose ou letargia, catalepsia ou sonambulismo”, mesmo que já não mais esteja contato com aquele, desde que tenha prosseguido interessado em manter ou ampliar suas conquistas espirituais.
Isso acontecerá mediante concentração profunda nas lembranças exitosas, a respeito.
Faquires (para citarmos um exemplo de desdobramento auto-induzido), separados do corpo físico entram em contato com Espíritos afins e nessa circunstância até conseguem modificar a ação orgânica dos sentidos, provocando reações inusitadas dos sentidos, por essa ou aquela ação sobre o universo celular orgânico.
15. CARGAS ELÉTRICAS E CARGAS MENTAIS
15.1 – Experiência vulgar
Referindo-se ao mecanismo do hipnotismo vulgar, sem finalidades construtivas (cap 13, desta obra), o Autor espiritual cita agora à “propagação indeterminada dos elétrons nas faixas da Natureza”. Relembra a experiência popular de se esfregar uma caneta tinteiro (estávamos em 1959... e elas ainda existiam) com um pano de lã, formando bolhas de ar nesse pano das quais se desprendem elétrons livres que irão se acumular na tal caneta, que ficará negativamente carregada. Aproximando esta caneta de fragmentos de papel (muito pobres de elétrons) tais fragmentos serão atraídos (“sugados”) para a caneta, por ação dos elétrons livres carregados positivamente.
15.2 – Máquina eletrostática
Máquinas eletrostáticas que possibilitam experiências primárias de eletricidade operam nessa mesma propriedade daquela com a caneta-tinteiro. Discos de ebonite, em movimento rotatório, “esfarelam” as bolhas de ar existentes entre eles, liberando os elétrons quase soltos. Esses elétrons, por ação de escovas, são arremessados às esferas metálicas, acumulando-se até soltar faíscas.
Máquina eletrostática
NOTA : Máquinas eletrostáticas são geradores mecânicos de eletricidade em alta tensão. As máquinas de atrito foram as primeiras formas desenvolvidas para a geração de eletricidade em quantidade significante, e praticamente toda a pesquisa inicial sobre eletricidade, nos séculos XVII e XVIII foi desenvolvida com nada mais sofisticado que estes curiosos dispositivos como fonte de energia. Atualmente (princípio do século XXI), estas máquinas são muito pouco conhecidas, com muito de sua história esquecida.
15.3 – Nas camadas atmosféricas
Elétrons livres, em camadas, estão em toda parte.
Nos dias de calor o ar aquecido remete às camadas atmosféricas mais altas o produto da evaporação (conjunto de átomos), que formam gotas nas zonas de altitude fria. Tais gotas, pelo peso, despencam. São as abençoadas chuvas!
Nessa queda, gotas há que encontrando correntes de ar quente se evaporam e liberam elétrons livres fracamente aderidos a elas (às gotas). Dessa formidável atividade — subida em turbilhões de elétrons livres — resulta a formação de nuvens, eletricamente carregadas. Naquelas alturas, essas nuvens, sobrecarregando-se de eletricidade, atingem tensão a milhões de volts. Os (benditos) elétrons, em massa, saltam então para fora das nuvens (indo para outras nuvens ou para a terra). Aí, teremos relâmpagos, trovoadas e aguaceiros.
As famosas explosões solares, que ocorrem a cada onze anos, liberam cargas imensas de elétrons que alcançam a Terra, quando esta se posiciona na direção das citadas explosões eletrônicas. Daí surgem perturbações no campo terrestre (inclusive provocando alterações em todos os sistemas de comunicação).
Essas ocorrências solares desarticulam igualmente as válvulas microscópicas do cérebro humano...
15.4 – Correntes de elétrons mentais
Por analogia elementar temos que as correntes de elétrons mentais igualmente vagueiam por toda a parte indo se agregar nos Espíritos, segundo a lei da sintonia mental. Uma leitura de página qualquer, consulta a este ou àquele livro, eventual conversação, interesse fixado nisso ou aquilo — são fatores pré-disponentes a nos ligar a mentes encarnadas ou desencarnadas — superiores ou inferiores —, que trilhem nessa estrada do pensamento.
Dessas junções teremos “faíscas”, algo semelhantes às das máquinas eletrostáticas.
Assim como a atmosfera terrestre espelha o que vai pelo planeta, igualmente nossa aura estampará o que vai pelo nosso Espírito: pensamentos, tendências e ações.
15.5 – Correntes mentais construtivas
A Natureza age continuamente com harmonia de suas energias. E nós, igualmente, para vivenciarmos esse patamar precisamos ter segurança naquilo que fazemos.
Da nobreza de sentimentos e ações resultará essa segurança.
O poder mental do homem bom é quantificado na razão direta das cargas magnéticas liberadas por sua consciência, na vivência e no labor do bem, possibilitando-lhe grandeza no exercício da sua vocação ou aptidão.
Pesquisador, professor, artista, escritor, trabalhador no lar, assistente social, trabalhador rural, administrador, comerciário, industrial, tratador de animais, desportista — enfim, nas diversas atividades em que se encontra — cada Espírito é convocado pela Lei Divina do Progresso a servir ao bem.
Resumindo: amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo, como proclamou e exemplificou o inesquecível Mestre.
15.6 – Correntes mentais destrutivas
Aparentes “conflitos atmosféricos” entre nuvens pacíficas e condições climáticas desencadeiam as tempestades. Mas na Natureza não há conflito algum, pois sábias são as Leis de Deus e, no caso, a inteligência do homem capacita-o a precaver-se.
Já a alma humana que se sobrecarrega de tensão negativa, do que resulta profundo desequilíbrio para si mesmo e à sua volta, certamente estará negativamente energizada por outras almas no mesmo diapasão mental desequilibrado.
Assim são gerados delitos. E alienações. E processos obsessivos...
Identificado clima mental propício a “tempestades na sua existência” urge ao Espírito dissipar o mais rápido possível tais cargas magnéticas destrutivas: no trabalho digno, na oração, na aproximação com o Evangelho de Jesus — auto-reforma, enfim.
As ondas mentais negativas emitidas por almas afins, encarnadas ou desencarnadas, se aglomeram e respondem, senão por todas, pela maioria das obsessões observadas na face da Terra, de que dão testemunho os multiplicados sofrimentos humanos.
CONTINUA... MECANISMOS DA MEDIUNIDADE PARTE 3- BOLETIM DE FEVEREIRO 2012.
FONTE :SOCIEDADE ESPÍRITA ALLAN KARDEC- RIBEIRÃO PRETO/SP
Eurípedes Kühl – Responsável
Rua Monte Alverne, 667 – Ribeirão Preto/SP
Dando continuidadae à divulgação das sinopses das obras de André Luiz, psicografadas por Chico Xavier. Seguimos com MECANISMOS DA MEDIUNIDADE- PARTE 3ª - FINAL
A leitura da sinopse não exclui a leitura do livro. Ela tem por finalidade relembrar a quem já leu as obras, determinados pontos importantes. Para aqueles que ainda não conhecem as obras de André Luiz, poderá ser um despertamento para levar à leitura das obras.
Título: "MECANISMOS DA MEDIUNIDADE " - (26 capítulos - 188 páginas)
AUTOR: Espírito ANDRÉ LUIZ (pseudônimo espiritual de um consagrado médico que exerceu a Medicina no Rio de Janeiro)
PSICOGRAFIA: FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER e WALDO VIEIRA (concluída em 1959)
EDIÇÃO: Primeira edição em 1959, pela Federação Espírita Brasileira (Rio de Janeiro/RJ).
Neste trabalho estamos consultando a 9ª edição/1986. Em 2006 foi lançada a 25ª edição, do 221º ao 225º milheiro de exemplares.
ABERTURA: Registros de Allan Kardec, designados pelo Autor espiritual
PREFÁCIO: Espírito EMMANUEL — Mediunidade.
INTRODUÇÃO: Do próprio Autor Espiritual (ANDRÉ LUIZ) — Ante a Mediunidade.
PARTE 3- FINAL ( CONTINUAÇÃO DO CONTEÚDO DOS BOLETINSDE DEZEMBRO 2011 E JANEIRO 2012).
16. FENÔMENO MAGNÉTICO DA VIDA HUMANA
16.1 – Hipnose de palco e hipnose natural
A hipnose observada em episódios públicos, teatrais, expondo reflexo condicionado induzido por alguém a outrem ocorre também no dia-a-dia.
A partir do berço, todos nós nos deixamos influenciar por indução de alguém, sendo essa obediência maquinalmente executada, em maior ou menor intensidade.
16.2 – Centro indutor do lar
Palavras textuais do Autor espiritual: “O lar é o mais vigoroso centro de indução que conhecemos na Terra”. E explana:
- no lar, do berço ao início da educação primária o Espírito, como se em sonolência, recebe e capta informes quanto à conduta para toda a sua existência;
- na escola primária, pelas diversas matérias e pelos ensinamentos dos professores formará seu grau de instrução;
- Espíritos evoluídos, em reencarnando (raridade terrena) espelharão para logo essa condição no ambiente doméstico, fruto de tantas e tantas vivências anteriores, com sacrifícios, zelo e dedicação ao bem;
- na maioria dos reencarnados, porém, o que se nota é que a alma infantil, por determinado período ajusta-se às instruções paternas e maternas, assimilando-lhes a intensidade de corrente mental, vindo praticamente a se constituírem em “médiuns dos genitores”;
- no transcorrer da existência terrena, só mais tarde a verdadeira personalidade do indivíduo emergirá, face os acontecimentos e experiências que vivenciar fora do lar.
16.3 – Outros centros indutores
A infinita bondade do Criador cuida que toda criatura seja permanentemente amparada.
A reencarnação, assim, dá notícia do campo mental estabelecido entre pais e filhos: harmonia no lar é fruto de sintonia; ao contrário, conflitos que não demoram a surgir, evidenciam disparidade de correntes mentais.
Num e noutro caso, não raro a genética é incapaz de justificá-los.
Filhos que inquietam a autoridade dos pais certamente têm assessoria de Espíritos desencarnados, aos quais se filiam em pensamentos, atitudes, tendências.
Contudo, foi para restabelecer a paz e harmonia que as sábias leis do Plano Maior situaram esses familiares no mesmo endereço.
Nessa quadra da vida, importante papel representarão os professores, cuja autoridade moral e competência levarão seus alunos a sintonizarem mentalmente com correntes positivas da paz, do respeito e do amor. Nesse caso, as ondas mentais dos mestres, de maior intensidade, atenuarão o fluxo negativo das dos seus aprendizes; os relapsos perderão a abençoada oportunidade de ganho de luzes íntimas.
Na profissão, ao empós da escola, a vocação falará alto e a alma encontrará os meios naturais para seu progresso, haurindo conselhos dos patrões e colegas mais experientes, ao tempo que exercitará a boa vivência gregária.
16.4 – Todos somos médiuns
Na rota evolutiva de todos os Espíritos estão presentes o reflexo condicionado e a sugestão. Com o crescimento moral há alargamento da visão e cresce proporcionalmente a liberdade, não sem a correspondente responsabilidade pelas escolhas feitas.
Em crescendo, os Espíritos passam a ter maior influência no próximo e no meio em que vivem, daí ser imprescindível não olvidar o cumprimento do dever primordial: evoluir.
A melhora íntima é dinâmica e por isso requer sacrifícios para que a ascensão para Deus se produza, de preferência sem as pausas a comando da ociosidade.
Assim, pela assimilação de forças superiores somos todos médiuns e será de bom tom ante a caridade que o que captarmos seja refletido pelo foco luminoso de energia mental.
16.5 – Perseverança no bem
O bem impõe dedicação. Ideal seria em tempo integral. Hiatos na perseverança do bem, com atalhos em conversação ou atitudes menos dignas remetem à conjunção com correntes mentais similares, invisíveis e quase sempre anônimas. Disso, infelizmente, resultarão processos vampirizantes, quando não doenças “indiagnosticáveis” pela medicina terrena.
Pensamentos e palavras constantemente voltados para veleidades ou injúrias morais, acusações indevidas ou críticas corrosivas, deboche ou crueldade — tudo isso forma liames entre os agentes encarnados e desencarnados de igual jaez moral, com prejuízos de monta para todos eles.
Aquele que persevera no bem, ao contrário, está sempre emitindo princípios de otimismo quanto à vida, ajudando a regeneração a que todos necessitamos, uns mais, outros menos.
16.6 – Gradação dos obsessões
Consciente ou inconscientemente, vezes há que permitimos que nossa aura seja invadida e trespassada por convulsões mentais, daí resultando ações violentas, coléricas. Nesse estado não há como impedir que correntes mentais a se expressarem por ondas do mesmo comprimento, ciclos e intensidade venham céleres recrudescer o quadro obsessivo criado por tamanha e tanta invigilância.
Típico quadro de loucura temporária é esse...
E ninguém poderá eximir-se de algures ter assim procedido.
E a vontade, ferramenta das mais sublimes que Deus dá a todas as criaturas, vê-se desvirtuada, usurpada da sua destinação, do que advêm problemas de largo curso, transformando o ser em médium doente, verdadeiro alienado mental.
17. EFEITOS FÍSICOS
17.1 – Simbioses espirituais
Todos nós somos envolvidos pelo halo de emanações mentais que criamos, o qual é facilmente detectado por Espíritos desencarnados que, em mantendo afinidade com esse tipo de corrente mental, associam-se conosco, sem serem convidados e na maioria dos casos, à nossa revelia...
Já a partir da reencarnação criaturas há que trazem companhias desencarnadas com as quais convivia, ou que com elas sintonizava, caracterizando quadro clássico de hipnotizador e hipnotizado. Na seqüência da existência, considerando que convivem na mesma onda mental, se o encarnado não conseguir ajustamento consigo mesmo e com aquela companhia, podem irromper fenômenos mediúnicos de ordem física.
Nada objeta que a desarticulação física de jovens bulhentos talvez seja uma das expressões disso, a entremostrar que agentes — indutor e passivo — situam-se em patamar evolutivo menos feliz.
Para cessar tais desordens comportamentais, próprias de crianças birrentas, bastam a prece e a repreensão de cunho educativo, e não punitivo, sejam da autoridade paterna, sejam de outra autoridade moral.
Essas manifestações, de todo despropositadas, independem do grau de cultura ou condição social daqueles que a elas se entregam.
17.2 – Médium teleguiado
O reencarnado que tenha tal potencial mediúnico e o coloque à causa do bem, será um doador natural de ectoplasma que, utilizado por Inteligências desencarnadas que o associa a outras categorias de ectoplasmas (espirituais e da Natureza), se prestará à realização dos fenômenos ditos “de materialização” — comprovante tácito da vida espiritual. Para tanto, esse médium contará com o apoio zeloso de um Espírito guardião, que estará com ele pari passu empenhado no progresso humano. O encarnado passa a ser qual médium teleguiado. Espíritos evoluídos, então, permanecerão atentos a ambos e em alguns casos proporcionarão desdobramento ao médium. Sendo o caso de estudos de grupos mediúnicos, na presença desse médium móveis se movimentarão sem que ninguém se lhes toque (telecinésia), ruídos de origem desconhecida serão ouvidos (“raps”) e, culminando, Espíritos tomarão densidade material por algum tempo.
17.3 – Dificuldades do intercâmbio
Tais manifestações não acontecem facilmente, eis que dependendo primordialmente dos recursos do médium, e este nem sempre podendo manter padrão permanente de equilíbrio, as oscilações mentais suas, acopladas às dos demais componentes do grupo mediúnico de estudos, as dificultarão mesmo, por carência de hegemonia mental.
Por isso é que tais reuniões, sobre serem raras, quase sempre quando acontecem não se mantêm, pela ausência da indispensável segurança para o êxito do tentame.
Leve oscilação do médium e ele já não será aquela ferramenta nobre ao propósito edificante: dispendendo pensamentos de ordem financeira ou mesmo afetivas, estará criando formas-pensamento não programadas, contra-indicadas à finalidade do estudo. Nessas ocasiões, Espíritos desequilibrados poderão assumir o emprego das energias deturpadas e causar graves problemas. Aí, o que de início era bom, se esfarela...
17.4 – Médium e assistentes
Assistentes num grupo desses, pensando diferentemente do propósito educativo, causarão embaraço ao sucesso das tarefas de materialização. Da mesma forma que os Espíritos protetores presentes dependem da qualidade da ectoplasmia dispendida pelo médium, este de forma alguma pode dispensar o apoio dos companheiros encarnados que com ele comunguem dos mesmos ideais.
Agora, se tais companheiros estão mais interessados em fenomenologia do que em aprendizado moral, ou se têm expectativa de fatos ligados à sua pessoa, aí então as fraudes emergirão, dando azo a críticos metapsiquistas, os quais, longe de captarem a interferência desequilibrante, bradam o insucesso, qual se estivessem à frente de uma operação matemática de resultados que não batem.
17.5 – Lei do campo mental
Esses críticos afoitos, diante das fraudes, cercadas essas de obscuridades e desacertos, tornam-se defensores da não sobrevivência. Mesmo atendidas todas as suas exigências para a realização de tais reuniões mediúnicas, delas zombam, diminuem os recursos dos médiuns e exigem que os acontecimentos obedeçam à ciência terrena.
Desconhecem eles e grande parte do mundo a Lei do Campo Mental, que gerencia a energia na qual se abrigam os Espíritos, que somente captam as influências com as quais tenham afeição. Dessa equação sobreleva a lei da responsabilidade, segundo a qual cada criatura vive e respira no mundo energético das próprias criações mentais, que se expressam na psicosfera individual de cada um.
Não há inconsciência total em médium algum, nem amnésia cerebral, eis que a consciência não é um autômato, mas sim parâmetro reflexivo das disposições e da vontade de cada Espírito.
17.6 - Futuro dos fenômenos físicos
O Autor espiritual cita que tem conhecimento de que em vários países acontecem significativos fenômenos físicos em determinados agrupamentos de médiuns. Dessas ocorrências, registra, não resultam quaisquer proveitos para a Humanidade, restando tão-somente comprovado o poder mental e a interligação encarnados-desencarnados.
Diz ele: “A ciência humana, porém, caminha na direção do porvir”.
O ectoplasma tem componentes ainda desconhecidos do homem e fica claro, ao se encerrar o capítulo, que as Entidades Angelicais o utilizam em sublimadas tarefas, pelo que os médiuns que o dispendem precisam manter bem alto o plano dessa doação.
NOTA: Decorrido quase meio século desde a primeira edição desta obra, o que se observa é que as reuniões de fenômenos físicos (ditas “de materialização”) rarearam consideravelmente no movimento espírita.
Não obstante, quanto ao ectoplasma, somos de opinião que aguarda maiores estudos e motivação nobre para sua aplicação na Terra, quando então maravilhas inimagináveis poderão acontecer.
* * *
NOTA: Devido à transcendentalidade do tema ectoplasma, inserimos abaixo o artigo elaborado por Eurípedes Kühl:
O ECTOPLASMA
Ouve-se falar no C.E. em “sessões de materialização”, “médiuns de efeitos físicos”, “fenômenos físicos espontâneos”.
Vamos desenvolver algumas considerações a respeito:
Este assunto, que no século passado intrigou tantos pesquisadores, hoje já não freqüenta os laboratórios e mesmo pouco os Centros Espíritas (C.E.), talvez porque a humanidade já evoluiu a ponto de permitir-nos considerar que tais fatos nada mais representaram do que um despertamento que a Espiritualidade Amiga, à época, trouxe para nós (de que a vida continua...). E é importante consignar que as materializações “espoucaram” por toda a Europa logo após a Codificação do Espiritismo, como se os Espíritos quisessem consolidá-lo, literalmente.
A palavra vem do grego: ektós = fora, exterior + plasma = dar uma forma. Quanto à sua aplicação, vem da Metapsíquica e da Parapsicologia, relacionando-se com fenômenos de efeitos físicos, comumente chamados "de materialização", com auxílio de médium.
Os Pesquisadores
Na França, Charles Robert RICHET (1850-1935), cientista, fisiologista e médico, Prêmio Nobel de Fisiologia de 1913, descobriu e denominou o ectoplasma, em processos de materialização.
Ainda na França, outro médico, biólogo, fisiologista e pesquisador - Gustave GELEY (1865-1924), associou-se a RICHET nas pesquisas ao ectoplasma, conseguindo, ambos, provar que ele é uma emanação do corpo do médium, em forma de um plasma leitoso.
RICHET e GELEY não estavam sozinhos nas pesquisas: Sir William CROOKES, físico e químico inglês (1832-1919), membro da Real Sociedade de Ciências de Londres, sendo pesquisador de fenômenos espíritas, também ocupou-se do ectoplasma.
Na Inglaterra, o físico William Jackson CRAWFORD (1870-1920), pesquisador das propriedades do ectoplasma, realizou experiências notáveis a respeito. Percebeu as fortes evidências de que o ectoplasma origina-se nos tecidos físicos, pois estudou uma médium (Srta. Goligher), com auxílio de uma balança, pesando-a antes, durante e após a emissão do ectoplasma. Verificou diminuição do peso da pessoa após a emissão e retorno ao peso original, depois da reabsorção do ectoplasma. Em uma das experiências de emissão de ectoplasma, a balança acusou que a médium conseguiu emitir 23 kg !
Noutro tipo de experiência, partes físicas da Srta. Goligher ficavam como que flácidas após a emissão, enrijecendo-se e voltando ao normal, também ao ser reabsorvida a porção de ectoplasma emitida. Utilizando-se de um dinamômetro suspenso no teto, ligado às pernas da médium verificou, repetidas vezes e sempre com os mesmos resultados, que a tensão no aparelho diminuía, de 1,8 kg para 0,45 kg . ("Mecânica Psíquica", J.W.Crawford, Lake/SP, p. 153).
Na Alemanha, Albert von SCHRENK-NOTZING (1862-1924), médico e pesquisador, dedicando-se à causa espírita, conseguiu a incrível proeza de, em sessões mediúnicas experimentais, recolher porções de ectoplasma, por ele denominado de "teleplasma". Submetendo tal material a exame laboratorial histológico (estudo da formação e composição dos tecidos de seres vivos), em Berlim e Viena, comprovou sua natureza orgânica, isto é, oriunda de seres encarnados.
Em nossos dias, no campo científico, o ectoplasma ainda é tratado com extrema reserva, havendo poucos médicos a pesquisá-lo. Profissionais da Medicina que participaram de algumas experiências recentes com essa substância afirmam que ela, se pesquisada com rigor científico, provavelmente abrirá uma nova era no tratamento de casos considerados de recuperação impossível.
É o caso, por exemplo, de aplicações espíritas que vêm sendo feitas, na terapêutica da reestruturação de tecidos vivos afetados ou destruídos pelo câncer. Ouçamos o sempre lembrado professor J.Herculano Pires: (...) "Pietro Ubaldi, mesmo não sendo médium nem espírita, admitia em suas obras que o ectoplasma podia ser uma nova maneira natural de reprodução — um processo biológico diferente dos conhecidos, eventualmente substituto da atual forma de reprodução sexual" (PIRES, J.Herculano, em “Agonia das Religiões”, 1989, Ed.Paidéia, p. 94).
Registramos a opinião de Ubaldi, demonstrando que não apenas pesquisadores e espíritas, mas outras pessoas, com a mesma seriedade, num tempo não muito distante ocuparam-se do tema ectoplasma.
Características e particularidades
O ectoplasma, substância ainda quase desconhecida e pouco pesquisada, teve nos fins do Séc. XIX o período de maiores anotações. Naquele final de século, como já citamos, poderosos médiuns de efeitos físicos assombraram os homens das Ciências, produzindo incríveis materializações.
Talvez o mais famoso desses casos tenha sido aquele que foi controlado por Sir William CROOKES, referente às inúmeras materializações do Espírito "Katie King", com auxílio da médium Florence Cook.
Crookes realizou sessões de materialização nas quais tornava-se tangível o Espírito que se autodenominou Katie King, indiana, que afirmou ter vivido alguns séculos antes. As cartas-artigos de Crookes foram publicadas na Inglaterra nos jornais espiritualistas (ex.: "Quartely Journal of Science”, de janeiro de 1874).
Nessas memórias, Crookes cita que Katie chegou a ficar por duas horas materializada, conversando com os presentes, deixando-se tocar. Crookes, respeitosamente, solicitou-lhe permissão para tocá-la, tendo auscultado seu coração, que batia num ritmo menor do que o da médium Florence Cook, fornecedora do ectoplasma.
Dispensável registrar que o emérito cientista cercou-se dos mais rigorosos cuidados, de forma a evitar fraude ou mistificação. Um desses cuidados, prova definitiva, foi o fato de trancar a médium numa sala anexa e o Espírito Katie materializar-se na outra. Outra prova, cabal também, foi o fato de Katie haver se materializado ao lado da médium, deixando fotografar-se. Só mais uma prova: Crookes cortou, com permissão de Katie, um cacho da cabeleira dela; Katie, ela própria, tomou uma tesoura e cortou grande parte dos seus cabelos, pedaços do seu vestido e do véu e distribuiu-os aos presentes; logo a seguir, mostrou os buracos do vestido à claridade da luz e deu uma pancada em cima da parte cortada, que instantaneamente se recompôs.
O ectoplasma que pode se apresentar em múltiplos aspectos, sendo normalmente refratário à luz comum, suporta luzes do vermelho e infravermelho.
A emissão e liberação do ectoplasma se faz, na maioria dos casos, pelos orifícios naturais do corpo do médium: ouvidos, nariz, boca, orifícios da pele, etc.
São várias as particularidades do ectoplasma:
a. Cores: podem variar: acinzentada, branca, amarelada, malhada ou negra;
b. Estados: tangível, amorfo, floculoso, sólido; de início é difuso, nebuloso, qual tênue fumaça branca, passando, às vezes, à consistência semilíquida ou massa;
c. Ao tato: pode impressionar desde a sensação de teia de aranha até à forma sólida de um objeto;
d. Comando: a característica fundamental do ectoplasma é que ele é dócil ao comando mental do médium, além dos Espíritos e pessoas presentes à reunião onde se dá sua produção;
e. Produção e reversão: todos podemos produzir ectoplasma. Contudo, pessoas há que o fazem em abundância, sendo chamadas de "médiuns de efeitos físicos". Reverte à origem (corpo do médium que o produziu), com a mesma facilidade com que foi emitido.
O Ectoplasma e o Espiritismo
Kardec, referindo-se em particular às aparições tangíveis, em "O Livro dos Médiuns", Cap. VI, nº 109, registra que o perispírito é o princípio de todas as manifestações até então tidas à conta de maravilhosas. Referindo-se em particular às características e propriedades do hoje chamado ectoplasma, denominou-o, em "A Gênese", Cap. XIV, nº 35 e 36, de "fluido perispirítico", ou, segundo outros tradutores, de "fluido perispirital".
Posteriormente a Kardec os Espíritos deixam entrever que o ectoplasma, como "produto acabado", isto é, pronto para ser utilizado, em reuniões de materializações ou de outros objetivos (terapêutica?), é composto por outras substâncias, além das orgânicas, do médium.
Vejamos os informes trazidos pelo Espírito André Luiz, ao descrever, com minúcias , uma reunião de materialização, segundo visão do Plano Maior:
- ao ectoplasma utilizado nas sessões de ectoplasmia (materializações), são acrescentados potencial energético de Espíritos Siderais, e outros elementos, denominados "recursos da natureza".
- dessa forma, o fenômeno da materialização, para alcançar êxito, necessita da energia de três elementos essenciais:
1. Energias sutis, emanadas dos Espíritos Protetores;
2. Energias do médium (ectoplasma) e eventualmente de outros participantes da reunião; aqui, o ectoplasma do médium é tratado pelo orientador espiritual como "força nervosa, fluindo abundante, qual neblina espessa e leitosa... sendo matéria plástica profundamente sensível às nossas criações mentais";
3. Energias colhidas de elementos da Natureza terrestre (águas, plantas, etc.).
Ainda do mesmo autor espiritual, encontrará o leitor outra narração de sessões de ectoplasmia , onde é detalhado como o médium que emite o ectoplasma se desdobra, sob influxo espiritual protetor. Na seqüência, há materialização de flores, que são distribuídas aos médiuns componentes da sessão.
Porém, das mais vibrantes notícias sobre o ectoplasma, podemos encontrar na narração de fatos estupendos, dentre os quais o de três crianças (irmãs da médium de efeitos físicos Ofélia Corrales, na República de São José da Costa Rica): estando o local da reunião mediúnica com todas as portas trancadas, as três crianças foram transportadas para um casinha próxima; a seguir, repetiu-se a mesma operação, em sentido inverso — portas trancadas, em ambos os ambientes, eis que as crianças foram trazidas de volta!
Na ficção tivemos a série de TV “Jornada nas Estrelas”, criada em 1966 por Gene Rodenberry, na qual os tripulantes da nave “Enterprise” passavam por esse fenômeno de desmaterialização num local, seguido de transporte e materialização em outro...
Na longínqua Ilha da Páscoa, no Oceano Pacífico, as grandes estátuas de pedra, denominadas “Moais”, segundo lendas locais, teriam sido transportadas pela força do pensamento de um sacerdote. Os blocos de rocha, de uma pedreira afastada quilômetros de onde estão, vinham “pelo ar”...
Não menos impressionantes são os relatos de lousas que vão de uma sala a outra, com portas e janelas fechadas e plantas que são geradas, no próprio ambiente da reunião mediúnica, a partir de outras plantas, chamadas de plantas-médiuns, já que elas é que possibilitaram o nascimento (materialização) de outras, havendo até casos de plantas com frutos!
É a isso que se denomina “aporte”, grosso modo.
“Aporte”, na linguagem parapsicológica, é o aparecimento súbito de objetos, animais ou pessoas, num determinado ambiente, onde esteja um médium de efeitos físicos. Johann Karl Friedrich Zöllner, astrônomo e físico alemão, professor de Astronomia e Física na Universidade de Leipzig, membro da Real Sociedade de Londres, da Imperial Academia de Ciências Físicas e Naturais em Moscou, da Sociedade Científica de Estudos Psíquicos de Paris e da Associação Britânica Espiritualista de Londres, membro honorário da Associação de Ciências Físicas em Frankfurt-on-Main (1834-1882), brilhante cientista, imaginou esse mesmo tipo de transporte através da Quarta Dimensão.
Uma outra hipótese seria a desmaterialização dos elementos citados e rematerialização em outro lugar.
Obs: Citamos o currículo do Dr Zöllner para que seja aquilatado o grau de interesse científico do tema.
Considerações gerais
O ectoplasma foi tema imperante no final do século XIX, quando homens responsáveis e dedicados pesquisaram-no à exaustão, deixando as portas abertas para os vindouros. Por não disporem de instrumental mais adequado, suas experiências restringiram-se a fenômenos de materialização, junto a médiuns especialistas e exames laboratoriais com os recursos de um século atrás...
Como podemos deduzir o ectoplasma é mais uma bênção, das incontáveis que nos concede o Criador. Seu potencial é inimaginável.
Causa perplexidade verificar que o ectoplasma não passeia pelos laboratórios de pesquisas. Herculano Pires noticia que um "conhecido físico paulista, professor universitário, opinou ser possível o fenômeno da materialização, ante os conhecimentos atuais da Física, mas que, para realizar-se seria necessário uma quantidade de energia só possível de obter-se num período de duzentos anos. No entanto, como ficou demonstrado nas experiências científicas do Espiritismo (e podendo voltar a ser comprovado desde que o Plano Espiritual o permita, mediante justificada razão), o fenômeno de materialização é produzido em poucos minutos. Além do mais, houve erro de classificação científica por parte daquele cientista (o físico paulista), já que a materialização não é um fenômeno físico, mas um fenômeno fisiológico".
Também causa tristeza notarmos que não há interesse científico sobre essa transcendental questão, contudo, como "a Natureza não dá saltos", cremos que no tempo certo o homem despertará tal atenção. E essa será mais uma das valiosas contribuições que o Espiritismo prestará à Terra, vez que as possibilidades de emprego do ectoplasma ultrapassam todos os vôos da imaginação: desde transporte de pessoas/objetos, desmaterializando-os na origem e rematerializando-os no destino, até à cura de patologias consideradas fatais. (Eurípedes Kühl)
---Voltando ao livro----
18. EFEITOS INTELECTUAIS
18.1 – Nas ocorrências cotidianas
Examinando-se o hábito, por exemplo, de um homem ler diariamente o jornal e ali buscar notas comerciais do seu interesse, encontraremos o reflexo condicionado específico cristalizado nessa conduta. Para prosperar algum projeto decorrente dessa leitura buscará o auxílio de outrem (colega, amigo ou parente). O ouvinte, sintonizando com esse homem, emitirá raios mentais análogos ao que este também emite. Juntos, demandarão providências para o êxito de eventual plano, traçado a dois, mas de ideal uno.
Na hipótese desse leitor diário interessar-se por ocorrências policiais, dentre as várias registradas, elegerá a mais grave e nela concentrará sua corrente mental, para logo atraindo outras mentes que “pensam” como ele. Ele e os colegas invisíveis plasmarão formas-pensamento que se espraiarão pela psicosfera, indo juntar-se a outras tantas que nela vagueiam e se prestam a essa infeliz junção. Resultados catastróficos advêm: dessa triste nuvem pairando sobre mentes desavisadas, que na primeira oportunidade eclodirão fatos tão ou mais violentos do que aquele que deu origem a tudo.
Linchamentos (justiçamento coletivo e desvairado, ao arrepio de qualquer civilidade), depredações coletivas, vandalismos de conseqüências graves, são decorrentes dessa perturbada associação de mentes, que nem mesmo se conhecem...
Mais tarde, um a um responderá, à consciência, pela sua parcela de culpa pelos danos.
18.2 – Mediunidade ignorada
Sexualidade irresponsável, mentiras, críticas contumazes e outros comportamentos infelizes expõem reflexo condicionado específico. Uma calúnia ou uma suspeita lançada por alguém de alguma autoridade levará muitos, que com ele comungue, a dilatarem a divulgação do fato citado, mesmo não comprovado. Navegando todos esses tais na mesma onda mental, serão responsabilizados pelo Controle Divino, a se manifestar pela consciência de cada um, expiatoriamente cuidando pela eliminação de tal procedimento.
Essa a mediunidade ignorada, tida à conta de metapsíquica subjetiva.
É assim que no mundo encontram-se palestrantes a propalarem verdades ou mentiras, conselhos ou perjúrios, sempre secundados por Espíritos que com eles sintonizem.
Em muitos casos, tal sintonia antecede à própria reencarnação desses expositores.
18.3 – Mediunidade disciplinada
Quando um médium se dispõe a trilhar por essa abençoada faculdade, com equilíbrio e propósitos no bem, segundo proclama e recomenda o Espiritismo, encontrará no grupo a que se filie as bênçãos da prece. Sintonizando com os Espíritos, particularmente com aquele que melhor se assemelhe à sua onda mental, verá eclodir a mediunidade a bordo de reflexo condicionado específico. Duvidará, a princípio, da autenticidade do apoio invisível, julgando que os pensamentos que capta são seus mesmos. A prece, como sempre, o libertará da dúvida, para logo se dar conta de que as idéias não lhe pertencem.
Volta o Autor espiritual a citar a sublimidade da Lei do Campo Mental, que preside a responsabilidade de cada Espírito, diante do seu programa evolutivo.
18.4 – Passividade mediúnica
A persistência no estudo, assiduidade e pontualidade nas obrigações junto ao grupo espiritual ao qual pertence, a par do pensamento reto à causa do bem, carrearão atendimento do Plano Maior às preces do médium hesitante e dissipará suas dúvidas.
Espíritos bondosos e especializados promoverão determinadas alterações cerebrais nesse médium estudioso e abnegado, fazendo com que ele cada vez mais aperfeiçoe as disposições mediúnicas com as quais está equipado, possibilitando que Espíritos nobres se aproximem dele.
Teremos assim os médiuns psicógrafos e os psicofônicos, os videntes e os intuitivos, os inspirados e os de premonição — todos desse patamar — reproduzindo obras e lições de valor.
18.5 – Conjugação de ondas
A conjugação de ondas mentais está presente em todo exercício mediúnico.
Na prece, por exemplo, o reflexo condicionado do médium dedicado aos atos doutrinários responde pelo sucesso ou dificuldade na interpretação do que lhe seja passado pelo Espírito visitante, elevado. A filtragem mediúnica quase sempre prejudica o teor da mensagem, eis que o médium não tem bagagem suficiente para captar e reproduzir com justeza as sublimidades que lhe são repassadas. Mesmo no caso de sintonia efetiva entre o visitante espiritual e o médium, este “interpretará” o valoroso conteúdo à sua moda, expondo-o segundo seu grau de conhecimentos.
18.6 – Clarividência e clauriaudiência
As possibilidades visuais e auditivas do médium, a se exprimirem por raios mentais conjugados entre ele e o Espírito comunicante, serão captadas diretamente na sua forma integral. No entanto, rareando no primeiro recursos ultra-sensoriais, ele as exteriorizará segundo a graduação do seu campo íntimo de captação e interpretação.
Os médiuns videntes e audientes trazem na intimidade cerebral seus centros de visão e audição aptos a receber o que lhes seja repassado do plano espiritual, em termos de imagem e som, qual espelho ou caixa acústica.
19. IDEOPLASTIA
19.1 – No sono provocado
Ideoplastia é a materialização do pensamento, na visão íntima, podendo ser duradoura.
Encarnados e desencarnados podem integralizá-la.
No caso do magnetizador e magnetizado, por exemplo, sugestão feita por aquele, de imagem e som, em local definido, desencadeará neste a formação mental do quadro, som e endereços sugeridos. Tão forte é essa reflexão que um espelho colocado à frente do hipnotizado lhe mostrará cópia fiel do que mentalmente vê... Não há nisso alucinação, devaneio ou ilusão: a cena visualizada é real, pois quem a criou foi o próprio “sujet”.
Se num acontecimento mediúnico o doutrinador utiliza-se do princípio da ideoplastia com presunção, estará interferindo negativamente na ação de Espíritos protetores, prejudicando assim o programa de apoio e progresso de Espíritos necessitados.
19.2 – Nos fenômenos físicos
Nas reuniões destinadas a fenômenos físicos, ocorrendo manifestação indevida (reclamação) de algum dos presentes, via de regra isso desencadeia no médium de ectoplasmia afastamento mental do que lhe estava sendo passado pela entidade espiritual e aproximação dessa nova “ordem”. O que acontece é que, para resguardar a integridade do médium e dos demais componentes do grupo de pesquisadores, nesses casos os Espíritos bondosos que se prestavam a auxiliar a consecução do fenômeno programado se retraem e mantém salvaguarda naquele ambiente.
19.3 – Interferências ideoplásticas
Suponhamos que numa reunião de efeitos físicos bem controlada, o orientador desencarnado esteja em ação para materializar um braço, utilizando para tanto os recursos doados pelo médium de ectoplasmia. Se um dos encarnados, incautamente tocar na forma e exigir, por exemplo, que aquele braço passe a exibir uma pulseira, tal interferência faz com que a ligação médium-orientador se desfaça, sendo substituída agora pela médium-pesquisador.
Nesse ponto, o trabalho está prejudicado, pois os Amigos do além já não mais contam com o apoio dos encarnados. Não raro, em circunstâncias desse jaez, o médium que fornece o ectoplasma fica viciado a atender a pedidos chulos, com evidente desmoronamento da qualidade dos resultados, de todo impróprios.
19.4 – Mediunidade e responsabilidade
Reuniões dedicadas à ectoplasmia não podem se transformar em sessões de atendimento a pedidos pessoais. É certo que os Espíritos atendentes que ali comparecerem não são nobres nem interessados no progresso moral, próprio ou dos presentes. Aí, mau grado os recursos que evidentemente o médium especializado possui e doa, são eles desbaratados e descambam para a irresponsabilidade.
19.5 – Em outros fenômenos
Em algumas reuniões mediúnicas não é raro que a ideoplastia de um ou outro médium se manifeste e ele descreva para os demais o que mentalmente vê.
Já de início, tais reuniões devem ter motivação nobre para que Espíritos amigos ali compareçam e possam, de fato, transmitir imagens construtivas e até mesmo fotografias de pessoas, para os receptores. Esperam os amigos invisíveis que de alguma forma tais fotografias transcendentais tragam lições e proveito moral para os presentes.
O que não pode nem deve acontecer é o médium de efeitos intelectuais se fixar em determinada imagem ideoplástica ou fotográfica e ficar a repeti-la, por longo curso, já que não tardará e esse médium passará a considerá-las como situações e pessoas reais.
19.6 – Na mediunidade aviltada
Desde tempos imemoriais a ideoplastia se apresenta no mundo. No caso da prática da magia, por exemplo, onde a mediunidade é aviltada e onde só comparecem Espíritos irresponsáveis, os médiuns que a isso se prestam se transformam em prisioneiros deles.
Tais médiuns, concordes com tais práticas, expelem raios mentais decorrentes dos quadros menos dignos que mentalmente vislumbram e que lhes causam terror.
Entregando-se a tais despautérios morais não tardam a lhes sofrer as danosas conseqüências. Utilizassem os mesmos meios em atividades nobres e recolheriam, com toda certeza, benefícios incalculáveis...
20. PSICOMETRIA
20.1 – Mecanismo da psicometria
Médium psicômetra é aquele que percebe o lado oculto de um ambiente e vislumbra a história de um objeto ou documento (impressões e lembranças daqueles que de alguma forma tenham ligações com eles).
Trata-se de percepção avançada, do tipo “circuito fechado”, pelo qual os sentidos físicos se deslocam, no tempo e no espaço, conquanto o médium esteja em vigília.
O Espírito do médium de psicometria tem poderes psíquicos, que de alguma forma se assemelham ao hipnotismo comum, quando o hipnotizado liberta a sensibilidade e motricidade, realizando coisas anormais, tais como “anestesia hipnótica” em alguma parte do próprio corpo.
20.2 – Psicometria e reflexo condicionado
Pessoas bastante sensíveis, pela prece ou concentração mental, deslocam a força nervosa de uma parte do seu corpo físico e perispírito, o que lhes possibilita contato com outros níveis vibratórios, de onde extraem suas observações psicométricas.
Praticamente todos temos essa possibilidade, conquanto na maioria esteja latente, em potencial, raramente se expressando. Uma dessas comprovações é a sensação de simpatia ou antipatia que nos acomete ante a presença de alguém que acabamos de conhecer. Esse alguém, seja ou não do nosso passado existencial, com certeza vivencia em regime de correntes mentais pró ou contra às nossas.
20.3 – Função do psicômetra
O psicômetra tem a capacidade de, em alguns casos, alterar sua visão e audição, como que lançando a distâncias e épocas passadas tais potencialidades, que se deslocam em transes rápidos a bordo do próprio perispírito-viajor e testemunha o que lá vê e ouve.
20.4 – Interdependência do médium
Em qualquer atividade mediúnica psicométrica o médium não prescinde da companhia de outrem, de sintonia plena com ele. Havendo desarmonia mental entre o grupo, certamente o psicômetra sofrerá influências que invalidarão suas possibilidades.
Aqui, as formas-pensamento agem com maior energia, se considerarmos que o objeto submetido à análise e apreciação do médium, de per si já traz muitas delas encerradas em sua história. É de se admitir que quando uma pessoa submete ao médium um determinado objeto que pertenceu a um antepassado dela, já edificou formas-pensamento de lembranças que tenha em sua memória, consciente ou inconsciente.
20.5 – Caso de desaparecimento
Se alguém desaparece e um objeto seu é levado a um psicômetra, este poderá vislumbrar a realidade, como por exemplo, que o desaparecido morreu e seus despojos estão em local que informa com exatidão.
Nesse caso, amigos espirituais do desaparecido e dos seus familiares, captando todos os momentos de angústia destes, aproximam-se do médium e adentram-lhe na onda mental, dando detalhes fisionômicos e de como aconteceu a desencarnação.
20.6 – Agentes induzidos
O local e o objeto psicometrado agem como francos mediadores entre os dois planos da vida, o material e o espiritual.
Quando o médium recebe pedido de busca ou informações sobre esse ou aquele objeto, se ele e quem o consulta não estiverem imbuídos de finalidades construtivas, por certo o tentame fracassará, pois a mediação será administrada por entidades menos felizes, que presto se apoderarão do comando da pesquisa.
Fica evidente que na psicometria a matéria registra impressões e vibrações nela impressas pelo contato com os homens ou com seres inferiores da Natureza.
Captar tais registros é ação mediúnica que enquadra a atividade psicométrica, que se apresentam na radiestesia (sensibilidade às radiações – caso da varinha que se move sob ação do médium de percepção de água, por exemplo) e na telestesia (percepção à distância de fenômenos, coisas ou condições).
21. DESDOBRAMENTO
21.1 – No sono artificial
Na hipnose profunda, do tórax do hipnotizado escapa “um vapor branquicento”, que se condensa à sua esquerda, tomando sua forma, isto é, reproduzindo duplicata do seu corpo, ligeiramente dilatado. Nesse estado do transe o “sujet” duplicado poderá deslocar-se a grandes distância que tenham sido ordenadas e de lá recolher notícias e informes diversos. Essa duplicata estará ligada ao corpo físico por fio finíssimo, qual se fora onda de radar, que vence enorme distância e retorna à origem intacta.
A circulação sangüínea não cessa no complexo orgânico e da mesma forma a onda mental circula permanentemente no Espírito. Quando o homem dorme seu cérebro descansa, mas o coração segue em pleno funcionamento, ao tempo que o pensamento não deixa de vibrar no cérebro perispirítico.
21.2 – No sono natural
A maioria das criaturas humanas, ao dormir, com o Espírito parcialmente emancipado da matéria, busca a repetência da satisfação do que já lhe foi agradável ou espera encontrar o objeto do seu desejo. Nessas circunstâncias, esse Espírito não vai a distâncias, permanecendo próximo ao corpo físico em repouso. Suas ondas mentais ofertam-lhe a satisfação buscada, mas não raro o organismo refletirá desarranjos, fruto da desvirtuação do emprego das energias, que deveriam ser de refazimento. E mais: terá remorsos, na consciência, dessas ações injuriosas.
21.3 – Sono e sonho
O homem pouco evoluído, assim, aproveita o sono apenas para descanso do físico e sonhos fotografam apenas seu limitado mundo mental e as afetividades elementares.
No animal, sua incipiente onda mental se mostra fraca e gira em torno de atos físicos.
No desdobramento pelo sono (hipnose natural) o reflexo condicionado de cada homem o conduzirá ao local onde situa seus interesses. Assim é que o agricultor visitará perispiritualmente sua plantação, o artista a obra na qual está empenhado, a mãe irá ter com os filhos, o criminoso o local onde delinqüiu.
Naturalmente, haverá o consórcio desse Espírito com outros, afins. Sua onda mental criará formas-pensamento espelhando o que pensam fixamente, mas ao acordar pouca identidade terão suas lembranças com aquilo que viram e vivenciaram.
Assim está a maioria dos homens na face da Terra...
21.4 – Concentração e desdobramento
Homens com motivação nobre do que fazem, ao dormirem, encontrarão seguro apoio de desencarnados, tanto quanto os de mau procedimento também terão assessoria infeliz.
O desdobramento no sono comum conduz o Espírito ao endereço dos seus desejos. Um escritor bem intencionado produzirá escritos com idéias construtivas, ao passo que um outro, promíscuo, ofertará obras infelizes, desestruturadoras das emoções de eventuais leitores.
21.5 – Inspiração e desdobramento
Dormindo, a onda mental de cada homem cuida para que no chamado “sono ativo” fiquem registradas no cérebro as impressões do Espírito e simultaneamente desliga a mente dos acontecimentos orgânicos, agora no “sono passivo”.
É assim que esse Espírito sintonizará ou não com os desencarnados afins.
Caso positivo, recebendo deles instruções, ao despertar as trará como impressões, como inspiração e não como efetivamente lhe foram dadas.
Esse é o mecanismo pelo qual os desencarnados atendem aos rogos que, feitos na vigília, logram deferimento direto no desdobramento do sono.
(Notáveis compositores musicais têm notícia biográfica de que despertaram em meio à madrugada e avidamente registraram “sonhos” mostrando-lhes peças inteiras...).
21.6 – Desdobramento e mediunidade
É pelo mecanismo descrito anteriormente que criaturas bondosas e desprendidas da materialidade, ao dormirem são levadas a páramos celestiais, de onde trazem bênçãos á Humanidade, na forma de instruções valiosas ao bem comum. Místicos fervorosos e abnegados, tanto quanto profetas, são exemplo disso.
Os nobres benfeitores que alcançam tal condição de elevação mental reúnem méritos resultantes da boa vontade e da motivação pelo progresso humano. Nunca se esquecem de estudar sempre, de forma a captar, entender e bem traduzir os ensinos que lhes são repassados pelas entidades elevadas.
22. MEDIUNIDADE CURATIVA
22.1 – Mente e psicossoma
A maravilha do corpo humano assemelha-se a um templo da alma, formado por bilhões de células, as quais, distribuídas por diversos órgãos, interligam-se no conjunto que garante a vida física, conquanto tenham funcionamento próprio, diferentes entre eles.
O cérebro age como gerente dessa grande “instituição”, expedindo comando mental aos órgãos, de forma a mantê-los conjuntamente em funcionamento equilibrado.
A vontade — ferramenta divina pela qual o Espírito dirige seu destino — responde pelo tipo de instruções mentais que cada órgão recebe, com o conseqüente estado de saúde ou de enfermidade, nessa ou aquela província do corpo humano.
A alimentação garante o aporte de energias necessárias para o corpo, através a bênção incalculável dos inúmeros automatismos biológicos do metabolismo físico (absorção-excreção), recebidos ao longo da evolução, a partir da criação do P.I. (Princípio Inteligente).
As condições mentais de cada homem respondem pelo bom ou mau aproveitamento dos alimentos ingeridos, com presença ou ausência dos elementos de defesa orgânica.
22.2 – Sangue e fluidoterapia
No sangue estão as energias físicas, as quais constituem reflexo da energia que circula no perispírito. Já ao respirarmos nossa mente capta energias do fluido cósmico e é pelos centros perispiríticos, com ação nos correspondentes órgãos físicos, que o sangue produz numerosa gama de hemáceas (corpúsculos, glóbulos, etc.), congregando-as e distribuindo-as aos pontos adequados, particularmente baço, medula óssea, fígado e glânglios e demais órgãos.
Saúde ou doença são reflexo de bons ou maus pensamentos e atos, pois é pela consciência profunda que o organismo tem ou não imunidade patogênica.
Notável registrar que assim como há o hipnotismo da mente, com maior expressão os elementos vitais podem igualmente serem magnetizados a benefício do físico.
22.3 – Médium e passista
O médium de cura tem a responsabilidade de ser integralmente fraternal.
O médium passista, no geral, bem executará sua tarefa de assistir a enfermos desde que se mantenha como fiel intérprete dos Espíritos protetores. Para tanto, necessário se faz que procure obter conhecimentos elementares do corpo humano e que sua mente esteja isenta de pensamentos deletérios. Ao atender a um enfermo, conveniente será que se porte com simplicidade e humildade, o que deixará o atendido mais receptivo.
Quanto mais culto, mais condições psicológicas terá de bem desempenhar o socorro, por captar com maior fidelidade as instruções repassadas pelos Espíritos abnegados que dele se servem para a caridade. Dessa forma, suas palavras ao doente despertarão nele condições da própria cura.
22.4 – Mecanismo do passe
O passista, diante do paciente, constitui-se em representante do Benfeitor espiritual.
Despertando a confiança do atendido, entre eles ocorre a ligação mental. Aí, o passista haure bênçãos do Plano Maior e as transfere ao enfermo, que as capta e utiliza, deflagrando processos de reparação ou renovação orgânicas, através do sangue.
Tal atendimento, em sendo perseverante, culminará com o êxito do objetivo buscado.
22.5 – Vontade do paciente
As bênçãos do passe, o qual geralmente age pelo processo de transfusão de energias psicossomáticas (energias espirituais acopladas à energia física do passista), tanto maior serão qual seja o nível de aceitação, por parte do atendido.
E ele, paciente, recebendo as energias que lhe são dispensadas, dirigirá sua onda mental de restauração da saúde como ordem às províncias injuriadas, cuja coletividade celular obedecerá a esse comando, num processo abençoado e sublime de tráfego mental.
22.6 – Passe e oração
O passe não tem qualquer contra-indicação e pode ser ministrado em qualquer caso de enfermidade, quaisquer que sejam as carências do paciente, crianças ou pessoas idosas. Só no caso de enfermos com limitações cerebrais é que os resultados do passe diminuem o nível do sucesso.
Em qualquer situação, porém, o passista deverá ligar-se em preces ao Plano Espiritual, dispondo-se a ser fiel ferramenta da Caridade Divina, sempre atuante a benefício de qualquer que seja o estado de alguém com problemas.
23. ANIMISMO
23.1 – Mediunidade e animismo
Quando um médium está em atividade mediúnica, vez por outra produz, por conta própria, consciente ou inconscientemente, fenômenos diversos: efeitos físicos ou intelectuais. E isso, estando realmente desdobrado perispiritualmente...
Diante de fatos dessa natureza e desconhecendo o processo anímico, críticos do Espiritismo optaram pela negação da mediunidade, excluindo a ação de Espíritos desencarnados, aludindo que “a força nervosa” seria a responsável por todos os sucessos produzidos pelos médiuns.
Tais críticas não procedem, vez que médiuns iniciantes podem mesmo, vez por outra, operar animicamente, o que de per si já expõe apreciável sensibilidade. Ademais, esses acontecimentos não são a maioria, não representam a tônica das reuniões mediúnicas e nem colocam o Espírito do médium em antagonismo com os desencarnados.
23.2 – Semelhanças das criaturas
Houvesse incompatibilidade evolutiva entre encarnados e desencarnados, inexistiria a mediunidade. Mas, na verdade, uns e outros são peregrinos da mesma estrada, em busca da auto-reforma. Autorizado pela Sábia Lei a retornar à esfera física, o Espírito reencarnante consubstancia no feto todo o acervo das potencialidades que amealhou ao longo das vidas passadas; depois, ao concluir a etapa orgânica, esse Espírito levará para o Plano Espiritual aquele mesmo acervo, acrescido do que tenha adquirido.
É assim que o médium, em certos momentos, desdobrando-se, age como se Espírito desencarnado fosse, ou ainda, reproduz o que um ou outro Espírito lhe repasse.
Voltamos a citar os faquires, que se desdobrando, produzem fenômenos anormais.
23.3 – Obsessão e animismo
Qual se dá nos acontecimentos da auto-hipnose, pessoas há que procedem de maneira totalmente diversa da sua normalidade, presas que se tornam de mentes desencarnadas infelizes e poderosas, inimigas ou zombeteiras: trazem a essas pessoas lembranças desagradáveis e fixam-nas nas suas mentes, de todo indefesas.
Quem veja esses médiuns, geralmente em ação na reunião mediúnica, em diagnóstico que só pode caracterizar desconhecimento e pressa afirmará tratar-se de entidade infeliz comunicante, quando, na verdade, são apenas reminiscências induzidas, aí sim, por Espíritos ignorantes.
23.4 – Animismo e hipnose
Numa hipotética regressão de memória induzida, na qual o magnetizador fixasse o paciente numa determinada faixa do passado, impelindo-o a lá permanecer, eis aí o que acontece nos casos de animismo, com a diferença que enquanto dura a manifestação, o “sujet”, ou médium, permanece mesmo lá no palco daquilo que relata e que ele vivenciou, só que alude ser a criatura que lhe tenha sido sugerida.
Alienados mentais, em processos dolorosos, palmilham por essa triste estrada, comportando-se como se fossem outrem, quando na verdade representam a realidade mental própria a que por invigilância se submeteram sob agentes menos dignos.
23.5 - Desobsessão e animismo
Médiuns que manifestem tais processos carecem de bondade por parte dos demais companheiros do grupo, com esclarecimentos e socorro, o que lhes reequilibra a onda mental, com reflexos positivos também nas entidades desencarnadas infelizes que os estejam induzindo a assim proceder.
Esses companheiros devem ser tratados à mesma maneira dos visitantes espirituais necessitados que comparecem à reunião mediúnica, isto é, com fraternidade e paciência, pois o Centro Espírita, enquanto escola, tem os Espíritos como alunos, encarnados ou desencarnados.
23.6 – Animismo e criminalidade
Criminosos e internos de hospícios, muitos deles, senão todos, são Espíritos em recidiva de procedimentos equivocados, que em determinados momentos da existência terrena emergirão abruptamente, eliminando o freio da razão para impedir tal repetência, já verificada em vidas anteriores.
Todos trazemos reflexos condicionados de vidas passadas e se não aproveitamos a reencarnação para eliminar os negativos, difícil evitar que nossa mente, negativamente condicionada, impeça a reincidência.
Grande parte dos conflitos, maiores ou menores que ocorrem no mundo, encontram nessa sistemática de predisposições mórbidas o seu fulcro gerador.
A Doutrina dos Espíritos, descortinando à análise o passado, justifica o presente e predispõe o futuro, motivo pelo qual é tarefa impostergável e intransferível do espírita que se depare com tais desequilibrados acordá-los para as claridades da Vida Maior.
24. OBSESSÃO
24.1 – Pensamento e obsessão
Obsessão e mediunidade andam parelha, em todos os recantos do mundo, porque o homem está sempre pensando e com isso emitindo ondas mentais que se encontram com outras tantas, similares em amplitude e intensidade, de outros homens.
O pensamento age por ação, mas também por reação, daí que o psiquismo de cada um é decorrente do teor do que pensa: bons pensamentos, equilíbrio mental e saúde; maus, desarmonia íntima, enfermidades e pior, perispírito com desestruturações múltiplas.
Alcançando de início o cérebro, tais desajustes promovem alucinações e estados mentais mórbidos.
24.2 – Perturbações morais
Todos aqueles que se afastam do roteiro do bem, passando a palmilhar por descaminhos que produzem o mal, cedo ou tarde atrairão desarmonia da mente, para si e para os que se lhes afinizem, passando uns e outros a responderem, solidariamente, por vasta gama de doenças catalogadas pela Psiquiatria. Entre essas, modo geral, as psicopatias, distúrbios de atenção e afetividade, esquizofrenias, fobias, neuroses, psicoses e mais um rol de outras, do mesmo jaez.
Em desencarnando, tais criaturas, fixadas em tantos desencontros, para logo terão seu corpo perispiritual seriamente afetado, reflexo do mau e repetitivo procedimento. Nessas circunstâncias, quando retornarem à esfera física, em nova existência terrena, trarão cérebro injuriado e deficitário, sem especificação de tempo para o reencontro do equilíbrio.
24.3 – Zonas purgatoriais
Zonas purgatoriais são o endereço certo no Plano Espiritual para aqueles que arrojam de si todo tipo de pensamento deletério, quase que permanentemente, onde padecerão por largo tempo condições infelizes, majoradas pelo arrependimento.
Impotentes e rodeados de outros Espíritos nas mesmas tristes condições, não raro entram em desespero e revolta, pois as criações mentais de uns e outros tomam forma, impondo-lhes horror, do mesmo modo daquilo que causaram a outrem.
Ninguém está ao desamparo do Amor do Pai e tais regiões, tuteladas por Entidades angélicas, auxiliam aqueles que pelo merecimento do remorso sincero e vontade de renovação se candidatam a reencetar a própria reconstrução moral.
O amparo desses anjos tutelares e a vigilância infalível que mantêm sobre tais Espíritos domiciliados nessas regiões purgatoriais representa que cada ser cria para si mesmo uma cadeia individual, em conseqüência dos crimes que tenha praticado.
Os agentes responsáveis pelos mais vis procedimentos no mundo são agrupados nessas paragens de angústia e tormento. Se a medicina terrena os examinasse nesse quadrante certamente encontraria desconhecidas e multiplicadas patologias mentais.
24.4 – Reencarnação de enfermos
Tais enfermos da alma, desde que neles esteja identificada a vontade de melhoria comportamental, volvem à vida física. Renascem muitos no lar dos responsáveis pelo seu passivo de erros, sob o foco protetor ou dos pais ou de Espíritos que por eles velam, os quais por vezes até renunciam a outras tarefas que os conduziriam a maior evolução.
Ao reencarnarem, contudo, não se despojaram dos implementos mentais negativos, nem dos reflexos condicionados no mal. Alguns espelharão retardo mental, outros, porém, que corrigiram apenas parcialmente o comportamento quando ainda na Espiritualidade, via de regra se mostram criaturas delirantes, abúlicas, de difícil trato, pela petulância e insensibilidade, além de aberrações sexuais variadas.
24.5 – Obsessão e mediunidade
A reencarnação contempla tais criminosos, na verdade médiuns doentes.
Muito pode fazer o Espiritismo pela sua recuperação, plantando em sua mente doentia novos conceitos morais, em oposição à corrente mental degradada que carregam.
Vêm esses infelizes irmãos nossos de regiões altamente infelizes e não raro constituem-se em “antenas” daqueles com os quais conviveram, daí porque o Centro Espírita, em os acolhendo poderão ajudá-los a se modificarem, em atividades doutrinárias fraternas, ensinando-lhes principalmente a substituir quadros de perturbação na tela mental por quadros inspirados nas lições do Mestre Jesus.
24.6 – Doutrina Espírita
Não se diga que apenas o Espiritismo pode ajudar a esses tais. Ao contrário, as várias religiões que contemplam a dignidade, a nobreza e o respeito a Deus e ao próximo, terão por certo recursos auxiliares a esses companheiros.
Mas, por outro lado, não há como negar que a Doutrina Espírita, mais que qualquer outra corrente do pensamento humano, tem condições de melhor amparar aos desequilibrados da alma, vez que todos trazemos, de experiências anteriores, um acervo oculto de procedimentos, bons e maus, do que faz prova nossa personalidade – doentia ou sã.
E o Espiritismo,como nenhuma outra atividade religiosa, desvenda esse acervo, pelo estudo das vidas passadas, desentranhando o passado, justificando o presente e possibilitando vislumbres do futuro — sempre em obediência à Lei Divina de Ação e Reação, a se manifestar pelos diversos processos reencarnatórios em que se exprime.
25. ORAÇÃO
25.1 – Mediunidade e religião
A mediunidade sempre esteve no mundo, mais ligada à magia.
Testemunhada nos povos primitivos, pelos “deuses” que criaram, mostrou-se ativa nos templos voltados para o ocultismo dos “iniciados”, vez por outra sendo exposta em praça pública, por magos.
Livros sagrados e profecias abundam na história da Terra, citando “anjos e demônios, evocações e mensagens de seres desencarnados, visões e sonhos, encantamentos e exorcismos”.
25.2 – Reflexo condicionado e mediunidade
A ligação “Terra-Céu” aparece em todas as ocorrências da Antigüidade, dos primitivos à atualidade, expondo reflexo condicionado na comunicação com o plano espiritual.
Objetos, vestes, imagens, incensos, cantos — tudo isso age como arremesso de ondas mentais casadas de profitentes ou assembléias, visando reciprocamente atrair ondas mentais semelhantes, objetivando um ou outro fim.
Alguém mal intencionado pode infundir terror em outrem, fragilizado na fé; o sacerdote bondoso ajudará o desesperado, despertando-lhe a confiança em Deus, com isso facilitando auxílio espiritual; o médico, pelo inegável apoio psíco-dinâmico que dê ao doente o ajudará a criar ondas mentais restauradoras, poder esse adormecido até então; o professor, estimulando o aluno, conseguirá que as lições repassadas sejam fixadas, para emprego de largo curso na existência terrena.
25.3 – Grandeza da oração
O reflexo condicionado age em todos nós, na vigília ou no sono, independentemente de despertamento externo. A prece é o mais benéfico de todos os mecanismos de vigilância, pois ela nos posiciona em ligação com Espíritos protetores.
Louvando, pedindo ou agradecendo, toda prece formulada em momentos de alegria ou dor, tranqüilidade ou aflição, arremessa de nós raios mentais que chegam ao Plano Maior e de lá volvem bênçãos infinitas àquele que ora com fervor.
“A mente centralizada na oração pode ser comparada a uma flor estelar, aberta ante o Infinito, absorvendo-lhe o orvalho nutriente de vida e luz”.
25.4 – Equilíbrio e prece
O homem dispõe de variados mecanismos para preservação da saúde.
Nosso organismo é maravilha da Engenharia Divina, a começar da pele e da mucosa intestinal, barreiras valorosas contra invasões de elementos químicos indesejáveis; o sistema imunológico é igualmente inapreciável reduto de proteção contra a ação danosa dessa ou aquela bactéria, desse ou aquele vírus.
Se o organismo físico é tão protegido pelos agentes defensivos com os quais Deus o engendrou, o mesmo não pode ser dito do corpo mental, cuja harmonia depende do Espírito que o preside. Mergulhados que vivemos num mar de formas-pensamento de toda espécie, somos quais aquele que em meio a uma selva procura o caminho de volta à segurança.
Tanto quanto a medicina terrena nos garante auxílio à saúde, da mesma forma a oração nos propiciará afinidade e aproximação com as Esferas Superiores, de onde vertem, incessantes, raios da “Vida Mais Alta”.
25.5 – Prece e renovação
No tumulto do mundo material o homem sofre assédio das vibrações inferiores dos Espíritos desencarnados e encarnados com os quais mantém afinidade, afadigando-se e se irritando com isso. Porém, no momento em que se dirija ao Alto, em prece, se verá envolvido em bênçãos calmantes e restauradoras.
A prece é assim recurso infalível para o apoio que verte do Plano da Luz.
Muito mais valorosa será a oração que objetive o aprendizado das lições do amor, com a conseqüente prática do amor ao próximo.
25.6 – Mediunidade e prece
A mediunidade e a oração constituem, em última análise (se é que assim possamos nos expressar), a maior fonte de luz do mundo, no processo evolutivo.
De longa data, milênios sobre milênios, encontraremos todos os povos dedicados à prece, invocando ou louvando, adorando ou meditando, todos em busca de reflexos à alma.
Moisés, no Sinai, captando os mandamentos sagrados.
Às margens do Lago de Genesaré ou no Monte Tabor, nos eventos finais do Getsêmani e da cruz, encontraremos Jesus em oração, sublime “reflexo condicionado de natureza divina”, que habita em todos nós.
26. JESUS E MEDIUNIDADE
26.1 – Divina mediunidade
Em nota indicada pelo Autor espiritual é relembrado que a mediunidade, em Jesus, “assume todas as características de exaltação divina”. E complementa que Kardec, em “A Gênese”, 12ª Ed., da FEB, ás p. 293 e 294, reflete que Jesus, integralizando todas as virtudes, agia por si mesmo e que, na verdade, não precisava de assistência, já que isso implicaria que outro Espírito teria que o assistir. E é Kardec que pergunta: “Que Espírito, ao demais, ousaria insuflar-lhe seus próprios pensamentos e encarregá-lo de os transmitir? Segundo definição dada por um Espírito, ele era médium de Deus.”
Jesus, já na sua chegada ao plano terreno legou a toda a Humanidade sublime lição de humildade, em nascendo numa simples manjedoura, ao amparo materno e paterno, complementado por animais dóceis, cujo hálito aquecia a abençoada família.
Nenhum vulto histórico deixou marcas tão indeléveis na história do mundo quanto Jesus.
Dirigindo-se ao Espírito, suas lições dividiram a História em antes e depois d´Ele.
O potencial de suas ondas mentais, transmitidas ao mundo, rumam para a eternidade, representado pelas “energias da Vida Maior” que despertou nas almas.
26.2 – Médiuns preparadores
Rezam as tradições que inúmeros Espíritos de escol precederam à chegada de Jesus, como que preparando o mundo para tão sublime presente divino
NOTA: A partir deste item o Autor espiritual cita vários nomes que estão nas páginas do Novo Testamento, informando o Evangelista que fez o registro e detalhando a fonte.
Todos eles, médiuns abençoados, põem à mostra que captavam das Esferas Altas o informe da chegada do Cristo, criando assim circuito de forças ajustadas à Sua onda mental, que se espalhou pelo mundo.
26.3 – Efeitos físicos
Jesus iniciou sua sublime missão já a partir dos doze anos, assentando-se entre os doutores da lei de então, neles despertando profunda admiração por Sua sabedoria.
Depois, transformou água em vinho, multiplicou pães e peixes e acalmou águas em tumulto. Levitou sobre as águas e proporcionou materialização de dois Espíritos, com os quais dialogou. Sob as vistas de público desmaterializou-se (no templo) e promoveu fenômeno de “voz direta” (à chegada em Jerusalém, montado num jumentinho).
26.4 – Efeitos intelectuais
Jesus é o maior de todos os demonstrativos de que o ser humano dispõe de recursos intelectuais que transcendem aos sentidos. Predisse com exatidão os acontecimentos que culminariam com a crucificação, ao tempo que advertiu aos Apóstolos, em caráter individual, sobre determinados procedimentos e vigilância. No Getsêmani estabelece diálogo com um Amigo dos Alturas, do qual recebe fraternidade pura.
26.5 – Mediunidade curativa
No enfoque das inúmeras curas que Jesus realizou encontraremos a expressão máxima do amor ao próximo. Paralíticos e leprosos, cegos e aleijados, alienados e obsessos, todos em estado de extrema necessidade, receberam alívio físico, mas principalmente foram despertados para as grandezas em potencial habitando neles mesmos.
Inesquecível a lição dada à mulher adúltera (na verdade, símbolo de toda a Humanidade) e ao paralítico de Betesda — à primeira, livrando da lapidação e ao segundo, da grave anormalidade física — para que “não pecassem mais, a fim de evitar coisa pior”.
26.6 – Evangelho e mediunidade
A mediunidade exercida tanto por Jesus, quanto por seus companheiros e posteriormente por heróicos continuadores, primou pela excelência da fraternidade pura e desinteressada.
Em prática mediúnica de alto significado Jesus estabelecia contato com o Plano Maior, amparava Espíritos sofredores, doutrinava obsessores empedernidos, volveu à presença dos Apóstolos após a crucificação, dando-lhes instruções para a semeadura do Evangelho — autêntico “Código de Princípios Morais do Universo”.
* * *
Indeclinável, ao término desta sinopse, mais uma vez usar a voz do coração e agradecer a André Luiz e aos médiuns aos quais repassou o sublime conteúdo desta obra. Estou plenamente consciente de que me portei qual “equilibrista desequilibrado” para realizar a tarefa de simplificar este estudo, em particular. Mas tinha que cumpri-la, pois de alguma forma colaborar para a divulgação de toda a Coleção “A Vida no Mundo Espiritual” é dever que a gratidão impõe, sob voto sincero da minha alma.
FIM
SOCIEDADE ESPÍRITA ALLAN KARDEC- RIBEIRÃO PRETO/SP
Eurípedes Kühl – Responsável
A FORÇA DA MENSAGEM ESPÍRITA ESTÁ EM SUA DELICADEZA
Consciência Espírita -http://www.consciesp.org.br
Centro de Estudos Espíritas Paulo Apóstolo
Kardec já dizia que o espiritismo é o maior inimigo do materialismo. E conseqüentemente, da falta de fé, das filosofias imediatistas, reducionistas e negativistas
A doutrina espírita possui uma certa delicadeza. Uma delicadeza que vem do alto, dos planos superiores da vida hiperfísica.
É essa delicadeza, por assim dizer, a expressão de sua essência. O que toca, definitivamente, as fibras mais íntimas do coração humano.
Kardec já dizia que o espiritismo é o maior inimigo do materialismo. E conseqüentemente, da falta de fé, das filosofias imediatistas, reducionistas e negativistas.
A delicadeza dessa mensagem — desse moderno espiritualismo — convida o ser humano a um posicionamento inédito diante de si mesmo, das grandezas da natureza e do Ser Supremo.
A doutrina espírita também repousa numa fragilidade encantadora. Essa fragilidade, que confunde os doutos e os prudentes, está explícita na suavidade de sua mensagem, que ameniza a truculência materialista do mundo moderno.
É impossível, ao coração atormentado pela dor ou pelo tédio, não sentir-se comovido, ainda que por um fugaz momento — talvez o momento necessário — durante a leitura rápida e casual de alguma mensagem psicografada, transcrita nalgum pequeno folheto que corre de mão em mão, sem destinatário predeterminado.
A força da mensagem espírita também está na fragilidade das abnegadas mãos de luz que, no silêncio do sacrifício, transcrevem essas pérolas etéreas em forma de palavras que aquecem os corações desvalidos.
A força da doutrina espírita está na simplicidade e na emoção das vozes queridas que retornam dos portais dimensionais da vida e novamente sussurram aos nossos ouvidos, à semelhança do vento que sopra onde quer, confirmando a certeza incontestável de que o amor continua sempre no coração dos que partiram para a grande viagem ultrafísica...
A força de nossa doutrina está no despojamento de tudo o que aprisiona a mente e o coração — tudo o que não é essencial para verdadeiramente nos colocar ante a Presença Divina.
Está na fugidia busca do amor a Deus, “em espírito e verdade”, sem o frio e ostensivo entorpecimento ritualístico, livre das estéreis divagações metafísicas, simplesmente confirmando que é nos esforço pelo auto-aprimoramento de cada dia e na possível dedicação aos nossos semelhantes, que alçamos o vôo definitivo para a nossa iluminação interior.
A força de nossa doutrina, portanto, está em sua delicadeza, em toda essa sua fragilidade...
A leveza de sua mensagem está nesse seu poder, capaz de difundir no sombrio mundo dos homens, pacificamente, sem alarde, as luzes da vida eterna, da única vida que é a do Espírito imortal, sublime e cristalino reflexo do próprio Criador.
NOTA : TODO O MATERIAL UTILIZADO NO BOLETIM ¨ CAMINHO ¨ FOI OBTIDO NA INTERNET E OU ATRAVÉS DE GRUPOS ESPÍRITAS DE DIVULGAÇÃO DA DOUTRINA.
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